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  • Ana Clara Mardegan

Estudo documenta caso de albinismo em gambás da Mata Atlântica brasileira

O resgate de uma ninhada de gambás registrou o primeiro caso de albinismo em marsupiais da espécie Didelphis aurita no Brasil. A descoberta ocorreu em agosto de 2020, quando biólogos e veterinários do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM) receberam cinco filhotes desta espécie que haviam sido resgatados no município de Cariacica/ES, e levados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres do Instituto Estadual do Meio Ambiente (CETRAS/IEMA) .


Entre os cinco filhotes resgatados, dois deles (um macho e uma fêmea) tinham características albinas, como olhos vermelhos e pêlos brancos. Os outros irmãos, três machos de pelagem preta, não apresentavam qualquer problema de pigmentação.


Filho de gambá albino. Foto: Ralph Vanstreels


De acordo com os pesquisadores Ralph Vanstreels, Caroline Reis, Renata Hurtado e Renata Bhering, autores do artigo científico que documentou o caso, a despigmentação da retina aliada às características corporais caracteriza o primeiro caso de albinismo reportado na espécie D. aurita (ou gambá-de-orelha-preta, como é popularmente conhecida), a única espécie do gênero Didelphis que ocorre naturalmente no Espírito Santo.


Filhote Albino. Foto: Ralph Vanstreels


O albinismo é uma desordem congênita (adquirida desde o nascimento) caracterizada pela diminuição ou ausência na produção de melanina, a proteína responsável pela pigmentação dos olhos, pele e pêlos. O fenômeno já foi identificado em gambás-da-virgínia (Didelphis virginiana), que vivem no México e Estados Unidos, mas é raro em marsupiais de outros lugares do globo.


Em humanos, o albinismo é classificado de acordo com características físicas (cor da retina, pele e pêlos), genética, sintomas clínicos e testes bioquímicos. As desordens de pigmentação ainda não foram tão bem estudadas, mas são reconhecidos quatro tipos principais em função das variações de coloração dos pêlos, que podem ser totalmente brancos ou em tons de marrom, cinza e amarelo. Segundo os pesquisadores, o fato de que a ninhada apresentava dois filhotes albinos e outros com pigmentação normal é particularmente significativo, e contribui para a investigação das causas genéticas do albinismo nos marsupiais.


Os filhotes resgatados faleceram após algumas semanas de cuidados, inviabilizando estudos mais aprofundados sobre o caso. Não foi possível identificar, por exemplo, se os animais apresentavam algum problema de saúde paralelo ao albinismo, como problemas de visão ou imunodeficiência. A necropsia, contudo, não identificou problemas de desenvolvimento ou pigmentação nos órgãos e tecidos internos.


Para ler o estudo na íntegra (em inglês), basta solicitar aos autores clicando AQUI.

 

O CETRAS/IEMA presta atendimento a outros animais silvestres resgatados por prefeituras, parques estaduais e órgãos ambientais do Espírito Santo. O acordo de cooperação entre o IPRAM e o IEMA viabiliza as atividades no Centro de Reabilitação e o encaminhamento dos animais para projetos de conservação parceiros, a exemplo do Projeto Marsupiais.

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