POST EM DESTAQUE

  • João Pedro Zanardo - Voluntário do Instituto

Viagem para Abrolhos: Experiencia de um voluntario do Instituto Últimos Refúgios

No mês de Julho de 2018, nosso voluntario João Pedro Zanardo de Andrade teve o prazer de conhecer o arquipélago dos Abrolhos na Bahia acompanhando o Instituto Baleia Jubarte e trouxe varias historias e fotos sobre as Baleias e o Arquipélago. Abaixo, segue o texto escrito por ele sobre tudo o que viu por lá:


"O Arquipélago dos Abrolhos fica localizado no estado da Bahia, a cerca de 36 milhas náuticas da costa. Constituído por cinco ilhas vulcânicas, esse tipo de formação é ideal para quem deseja enxergar de perto, e de forma clara, a teoria dos ecossistemas de ilhas de Darwin na prática. Isso desperta a curiosidade de muitos biólogos e admiradores da natureza, fazendo com que Abrolhos seja um ecossistema único para visitar.


Por ser considerado o lugar de maior biodiversidade do atlântico sul, o arquipélago ganhou o apelido de “amazônia marinha”. Para você ter uma ideia da riqueza do lugar, de acordo com o site do ICMBio, nas cinco ilhas existem cerca de 1300 espécies, sendo que 45 estão em risco de extinção, como apresentadas na lista da IUCN.


A formação geológica do arquipélago resultou em uma área com águas rasas e quentes, ambiente ideal para as baleias-jubarte, que saem da Antártida e migram para Abrolhos todos os anos. Essa visita acontece nos meses de junho e julho, e dura até outubro e novembro. Esse é o período em que as baleias estão acasalando ou dando a luz aos filhotes, já que o ambiente é ideal para que os pequenos aprendam a nadar e se alimentar. Além disso, é aqui que eles se preparam para a jornada até a Antártida, onde fecham o ciclo anual da população de jubartes do Atlântico Sul. Atualmente, o Banco dos Abrolhos localizado no mar do Sul da Bahia e do Norte do Espírito Santo, é considerado o melhores lugares para o avistamento de baleias-jubarte em todo Brasil.


MINHA EXPERIÊNCIA NO ARQUIPÉLAGO


Nessa expedição, fui como acompanhante do Instituto Baleia Jubarte, e tive a oportunidade de ter contato com a pesquisa e a observação das baleias-jubarte com a equipe. Segundo eles, nós fomos privilegiados, pois tivemos a sorte de ver de perto os vários tipos de comportamentos das Jubarte, como o salto com batida de peitoral, a batida de caudal, a exposição de caudal, a batida peitoral e o SpyHope. Além disso, foi possível observar uma variedade de formações sociais das baleias, como fêmea com filhote, fêmea com filhote e um acompanhante, grupos competitivos de até 6 baleias, grupos pequenos e até mesmo baleias sozinhas.


Ao fim da expedição, a equipe contabilizou 40 baleias, somando todos os momentos. No total, foram cerca de 4 horas com baleias próximas a proa do barco e, após 8 horas de observação, foi possível avistar 3 filhotes.


ALÉM DAS BALEIAS


- ILHA DE SANTA BÁRBARA

Além da observação de baleias, também pude visitar outras ilhas do arquipélago, começando pela Ilha de Santa Bárbara. Dentre as cinco, esta é a única que não faz parte da jurisdição do Parque Nacional, pois está sob o domínio da Marinha Brasileira. É nela que se localiza o famoso Farol de Santa Bárbara, ativo desde 1862.


Essa é a única ilha habitada do Arquipélago, já que alguns militares vivem lá, e trabalham para manter o funcionamento do farol e análises das condições marítimas, que são passadas para o continente.


Igreja na Ilha de Santa Barbara

Além dos militares, pesquisadores também têm permissão para morar na ilha, durante o período em que realizam algum tipo de trabalho de pesquisa no Arquipélago. Por conta da presença humana, a Ilha de Santa Bárbara teve a fisionomia alterada, já que o homem modifica a paisagem e introduz espécies exóticas de plantas e animais domésticos, como cabras para a produção de leite e carne. Isso resultou em vários tipos de degradação na vegetação da ilha. A distância em relação ao continente também contribui para que o ambiente por aqui seja sensível, fazendo com que pequenas atitudes tenham como resultado grandes impactos.



- ILHA SIRIBA

De acordo com a Teoria dos Ecossistemas de Ilhas, é comum observarmos uma espécie mais adaptada e, consequentemente, dominante sobre as outras, em diferentes ilhas, mesmo estando próximas. No caso de Abrolhos, a segunda ilha que conheci foi a Ilha Siriba, onde pude observar a dominância em quantidade do Atobá-Grande (Sula dactylatra) voando pela região o dia inteiro. Essa espécie de ave é muito comum em áreas oceânicas, e estão sempre em casal, podendo haver variações de parceiros, , dependendo da temporada de acasalamento. Os machos possuem o comportamento de dar presentes para as fêmeas. Além disso, têm o costume de fazer seus ninhos em áreas planas e com pouca vegetação, o que tornam as ilhas perfeitas para eles, já que são áreas de solo rochoso, com predominância de plantas rasteiras e arbustos. Caminhar pelas trilhas da Ilha Siriba não é uma atividade muito fácil, já que a região está repleta de ninhos.


- ILHA REDONDA

A ilha Redonda é a segunda maior ilha do arquipélago, e é dominada pela Tesourão (Fregata magnificens), uma ave comum na costa brasileira. De coloração preta,o animal tem como característica marcante um papo vermelho nos machos. Durante a temporada de acasalamento, esse papo fica inchado, em prol de atrair as fêmeas.


Os ninhos da Tesourão ficam localizados no topo da ilha, onde não é permitido o acesso. Isso é necessário porque a ave é muito arisca e, quando se assusta, foge voando e deixando o seu ninho desprotegido. Um dos comportamentos do macho dessa espécie é quebrar os ovos dos quais não são pais, fazendo com que uma visitação à essa área possa atrapalhar o ciclo de reprodução da ave.