POST EM DESTAQUE

  • Ana Clara Mardegan

Todos pela Baía das Tartarugas: Conheça as ações ambientais da APA e os desafios pela conservação

Arraias, golfinhos, cavalos-marinhos, baleias e peixes de todos os tipos. Estes são apenas alguns dos animais marinhos encontrados na Baía das Tartarugas, a primeira Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha da Grande Vitória. A Unidade de Conservação é uma das maiores riquezas naturais da capital capixaba, sendo ideal para banhistas, para prática de esportes e para o ecoturismo.

Animais encontrados na Baía das Tartarugas. Fotos: Leonardo Merçon

Desde sua criação, em 2018, a APA enfrenta diversas problemáticas ambientais, como a pesca ilegal e a poluição. Estes fatores afetam toda a biodiversidade marinha compreendida entre o final da Orla de Camburi e a Terceira Ponte, dois dos maiores cartões postais de Vitória.



Pensando na conservação da APA, diversas iniciativas de conservação ambiental promovem ações para destacar a região no imaginário capixaba. O objetivo é fomentar a consciência ambiental por meio de iniciativas que valorizem e/ou protejam a APA, revelando suas belezas, importância ecológica e potencial turístico para todo o Espírito Santo.


INICIATIVAS PARA A CONSERVAÇÃO

Considerando a grande importância biológica, cultural e econômica da APA Baía das Tartarugas, existe uma vontade comum da sociedade civil, do poder público e das empresas privadas para buscar a manutenção desse tesouro capixaba. Juntos, pessoas e instituições que se preocupam com um futuro mais sustentável executam ações que se somam para buscar um caminho melhor para toda a sociedade.


Abaixo, confira algumas das importantes iniciativas que têm trabalhado arduamente pela conservação desse ambiente tão sensível e vulnerável aos impactos causados pelos seres humanos.


  • Prefeitura de Vitória

A Prefeitura de Vitória foi responsável pelo decreto de criação da APA, apoiada por ambientalistas e organizações do terceiro setor.


Atualmente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), da Prefeitura de Vitória, promove diversas ações de conservação da Baía das Tartarugas. O objetivo é assegurar a preservação e a melhoria da qualidade ambiental dos ecossistemas costeiros - principalmente a recuperação de áreas de restinga -, a fiscalização embarcada, as ações fiscais das ligações de esgoto e o monitoramento da qualidade da água (balneabilidade).



Para proteger a fauna marinha, agentes de Proteção Ambiental da Semmam realizam operações embarcadas na APA. O grupo ainda faz abordagens educativas nos dias que antecedem o defeso de espécies como o sururu de costão rochoso, principalmente nos períodos de proibição da pesca ou da cata de mariscos.


A Prefeitura de Vitória também é realizadora do Projeto Praia Limpa, que busca conscientizar a população sobre a conservação do litoral e da vida marinha, além de ressaltar a importância de tornar o ambiente mais agradável para banho, atividades de lazer e práticas esportivas.


O órgão dialoga com outras iniciativas, projetos e ONGs ambientais, mantendo parcerias para realização das atividades no litoral capixaba.


  • Polícia ambiental

O Batalhão da Polícia Militar Ambiental é outra instituição que marca presença nos eventos e ações ambientais em prol da Baía das Tartarugas.

O BPMA atua com o patrulhamento terrestre rural ou urbano, patrulhamento náutico, educação ambiental e apoio aos demais órgãos de fiscalização ambiental que atuam no Estado. Além disso, tem intensificado os esforços no combate aos crimes ambientais ocorridos na APA Baía das Tartarugas, principalmente aqueles relacionados à pesca ilegal e predatória.


  • Projeto Tamar

Além de promover a consciência ambiental, as ações de conservação buscam reconhecer a espécie símbolo escolhida para representar a APA: as tartarugas. A Baía possui uma grande concentração de tartarugas-verdes, que podem ser vistas por quem passeia ou realiza mergulhos recreativos na região.



O Projeto Tamar é uma das principais e mais tradicionais entidades que lutam pela conservação das tartarugas marinhas em Vitória (e no Brasil).


  • IPRAM

Em paralelo, o IPRAM - Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos realiza trabalhos de monitoramento de fauna, desenvolve pesquisas científicas, promove palestras, cursos e treinamentos para manejo de animais marinhos. É um grande aliado na reabilitação de espécies resgatadas por meio do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Espírito Santo (CRAM-ES), que conta com médicos veterinários e biólogos capacitados. O IPRAM ainda operacionaliza o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), do Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA).



  • Instituto O Canal e Sea Shepherd Brasil:

Além do Projeto Amigos da Jubarte, o coletivo ambiental formado pelo Instituto O Canal e pelo Instituto Últimos Refúgios também executa o monitoramento de outros cetáceos que vivem na costa do Espírito Santo, como golfinhos e botos.



Os botos são importantes objetos de estudo do Projeto Amigos da Jubarte / Jubarte.Lab e do Projeto Golfinhos do Brasil, responsável pelo monitoramento destes cetáceos em toda a Grande Vitória, incluindo a APA Baía das Tartarugas. A iniciativa visa entender o comportamento, as composições sociais, avaliar a saúde, hábitos e os riscos para estas populações nas zonas urbanas.


O Instituto O Canal também promove ações de limpeza de áreas naturais e eventos culturais relacionados à conservação ambiental. Muitas delas contam com apoio da Sea Shepherd Brasil, que atua em prol dos seres marinhos.


  • Instituto Marcos Daniel

O Instituto de Ensino, Pesquisa e Preservação Ambiental Marcos Daniel é uma associação sem fins lucrativos que promove a conservação da biodiversidade por meio de projetos de conservação, educação ambiental, pesquisas científicas e consultoria.


Na APA Baía das Tartarugas, o Instituto desenvolve pesquisas científicas com tartarugas-marinhas por meio do Projeto Chelonia Mydas, com foco no monitoramento do impacto de poluentes sobre as tartarugas-marinhas brasileiras. Além disso, realiza ações de resgate de jacarés na região da Baía das Tartarugas com o Projeto Caiman, iniciativa importante na pesquisa e conservação das populações da espécie no Brasil.



  • Instituto Ecomaris e Projeto Pegada

O Instituto Ecomaris é mais uma iniciativa que realiza ações de sensibilização ambiental, limpeza de áreas naturais e de fomento à prática esportiva sustentável.


No último domingo (6), um grupo de remadores de canoa havaiana encontrou um boto-cinza (Sotalia guianensis) morto nas águas da Baía das Tartarugas. Os praticantes contactaram o CTA - Serviços em Meio Ambiente e registraram ocorrência com o Programa de Monitoramento de Praias (PMP-ES).


As redes de pesca e a grande quantidade de lixo marinho são uma das grandes ameaças aos botos que nascem, se alimentam, se reproduzem e residem em regiões costeiras do Espírito Santo.


Em comoção ao ocorrido, o Instituto criou uma petição para a Comissão do Meio Ambiente de Vitória / Conselho da APA Baía das Tartarugas, para reforçar a necessidade do empenho ao cumprimento da lei 9077/2017, que proíbe o uso de redes na APA Baía das Tartarugas.


A petição já conta com mais de mil assinaturas, e você pode acessá-la clicando AQUI. O objetivo é conscientizar sobre o uso de ferramentas de pesca que prejudicam a vida marinha em uma área de proteção ambiental.