Itaguaçu multiplica por dez seus registros de biodiversidade com ajuda de crianças, escolas e comunidade!
- Leonardo Merçon

- há 10 horas
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Entre os dias 11 de dezembro e 11 de janeiro, o município de Itaguaçu, localizado na região serrana do Espírito Santo, recebeu o Projeto Clube de Observadores da Natureza, uma iniciativa do Instituto Últimos Refúgios voltada à valorização da biodiversidade local por meio da ciência cidadã.

No início da ação, Itaguaçu possuía apenas 18 registros de biodiversidade na plataforma iNaturalist. Ao final do período, o município ultrapassou a marca de 176 espécies registradas, resultado de um esforço coletivo que envolveu crianças, escolas, educadores, observadores da natureza e a comunidade local.

A iniciativa teve como principal objetivo incentivar a observação da natureza como ferramenta de educação ambiental, engajamento comunitário e produção de dados científicos relevantes, contribuindo para a inserção do município em bancos globais de informação sobre biodiversidade.
Desafio de Observação da Natureza de Itaguaçu
O projeto foi estruturado a partir do lançamento do Desafio de Observação da Natureza de Itaguaçu, que convidou a população a registrar espécies de plantas, animais, fungos e outros organismos vivos observados no território municipal, utilizando a plataforma iNaturalist.
A proposta buscou estimular o olhar atento sobre o ambiente local, promovendo o reconhecimento do patrimônio natural existente e fortalecendo a relação da comunidade com seu território.

Sensibilização ambiental na prática
Como marco inicial da ação, estudantes integrantes do recém-criado Clube de Observadores da Natureza Sabiá, da EMEIEF Pedro Thomazini, participaram de uma saída de campo à RPPN Garibus. A atividade foi conduzida com o apoio da equipe do Instituto Últimos Refúgios e contou com a recepção da responsável pela reserva, Helga Bleyer.
Durante a visita, os alunos tiveram contato direto com a Mata Atlântica, registrando aves, insetos, árvores nativas e outros elementos da biodiversidade local. Para muitos estudantes, essa foi a primeira experiência estruturada de observação da natureza, utilizando ferramentas como binóculos, câmeras e cadernos de anotação.
Resultados alcançados
Ao longo dos 30 dias de desafio, foram realizadas 277 observações por 20 observadores locais. As identificações contaram com o apoio de 124 especialistas de diferentes partes do mundo, que colaboraram na validação dos registros na plataforma.

As seis espécies mais observadas durante o período foram:
Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
Rolinha fogo-apagou (Columbina squammata)
Guaxe (Cacicus haemorrhous)
Garibaldi (Chrysomus ruficapillus)
Aracuã-de-barriga-branca (Ortalis araucuan)
Buri, antigo palmito-amargoso (Allagoptera caudescens)
A diversidade registrada por grupo biológico incluiu:
59 espécies de aves
62 espécies de plantas
26 espécies de insetos
13 espécies de mamíferos
6 espécies de répteis
6 espécies de aracnídeos
1 espécie de anfíbio
3 espécies de fungos
Entre os observadores que mais contribuíram com registros estão Leonardo Merçon, Rogério Truglio, Miriam Loss, Patrícia Binda, Pedro Alves e Brenna Cristina.

Um modelo replicável
O Desafio de Observação da Natureza de Itaguaçu foi concebido como um projeto piloto, com potencial de replicação em outros municípios capixabas que ainda possuem poucos registros de biodiversidade.
Ao integrar escolas, crianças e comunidades a ferramentas de ciência cidadã, o projeto demonstra que a conservação da natureza também passa pela educação, pela participação social e pelo acesso ao conhecimento científico.
Parcerias e apoios
O projeto foi realizado pelo Instituto Últimos Refúgios, com apoio do Instituto Unimed Vitória e da ComproCard, e em parceria com a Prefeitura de Itaguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.
Também participaram da iniciativa as escolas locais, com destaque para a EMEIEF Pedro Thomazini, o Clube de Observadores da Natureza Sabiá, a RPPN Garibus e o PAT Capixaba-Gerais – Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas fora de Unidades de Conservação, coordenado pelo IEMA.
A ação contou ainda com o envolvimento de educadores, pesquisadores, observadores da natureza e membros da comunidade, unidos pelo compromisso de ampliar o conhecimento, a valorização e a proteção da biodiversidade local.


































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