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Segunda expedição do livro sobre os manguezais capixabas: visita técnica em GUARAPARI-ES

  • Foto do escritor: Marcella Rosa
    Marcella Rosa
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

# Expedição em Guarapari avança no reconhecimento dos manguezais capixabas


O projeto “Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas” realizou mais uma visita técnica de campo, desta vez no município de Guarapari, no litoral sul do Espírito Santo. A atividade integra a etapa inicial do projeto, dedicada ao reconhecimento dos territórios, à escuta das comunidades locais e à identificação dos manguezais que serão retratados ao longo da produção do livro.


Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas.
Foto: Leonardo Merçon

As visitas técnicas têm como objetivo entender cada território antes das expedições fotográficas mais aprofundadas. Nessa fase, a equipe percorre rios, córregos, lagoas, áreas costeiras e comunidades próximas aos manguezais ou réstias de mangue, buscando confirmar informações levantadas em bibliografia, identificar possíveis áreas pouco documentadas e compreender como as pessoas se relacionam com esses ambientes.


Em Guarapari, a equipe visitou diferentes localidades, incluindo a Praia da Sereia, Praia da Enseada, Rio Una, Rio Perocão, Praia da Cerca, Rio Guarapari, Rio Conchador, Rio Jabuti, região da Praia dos Pescadores, Meaípe, Lagoa de Meaípe, Lagoa de Maimbá e Lagoa de Caraís. Em algumas dessas áreas, a presença de manguezal foi confirmada. Em outras, a equipe não encontrou vegetação típica de mangue, informação que também é importante para compreender a distribuição atual desses ecossistemas no município.


Fotos: Leonardo Merçon

Achados relevantes da visita, ao menos para o conhecimento da própria equipe, foi a identificação de áreas com vegetação de mangue sobre rochas, em uma área indicada por moradores e banhistas locais. A presença dessas árvores no local também havia sido registrada anteriormente em plataformas de ciência cidadã, como o iNaturalist, o que reforçou a importância da verificação em campo. A constatação é significativa por se tratar de uma formação pouco convencional e sensível, localizada em uma área que vem sofrendo pressões relacionadas à ocupação e a empreendimentos costeiros.


No Rio Una, a equipe encontrou um manguezal expressivo, com presença de árvores de mangue, fauna associada, caranguejos, aves e forte relação com moradores e pescadores tradicionais. A navegação pelo rio, realizada em embarcação a remo, permitiu observar o ambiente com mais proximidade e compreender melhor sua dinâmica ecológica e social.


Já nos rios Perocão e Guarapari, a visita contou com o apoio do IEMA, especialmente pela relação dessas áreas com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Concha D’Ostra. O acompanhamento foi importante para a leitura do território, já que a equipe local possui conhecimento sobre a região, seus acessos, desafios ambientais e principais pressões enfrentadas pelos manguezais.


Na região de Meaipe / Praia dos Pescadores, foi identificada a presença de uma réstia de mangue bastante reduzida e impactada, em meio a aterros, intervenções urbanas e forte ocupação do entorno. Esse tipo de registro ajuda o projeto a mostrar também aquelas ocorrências que resistem em áreas transformadas pela expansão urbana.


Fotos: Leonardo Merçon

A visita foi realizada por duas frentes de trabalho. A equipe de biodiversidade atuou no reconhecimento físico dos manguezais, na observação de espécies, na identificação dos limites aproximados das áreas e na produção de registros preliminares. Já a equipe social conversou com moradores, pescadores e pessoas que vivem próximas aos manguezais, buscando entender suas percepções, memórias, preocupações e expectativas sobre como esses territórios devem ser representados no livro.


Fotos: Leonardo Merçon

A escuta comunitária se mostrou fundamental. Além de revelar histórias e relações afetivas com os manguezais, também ajudou a indicar áreas que ainda não estavam plenamente mapeadas pela equipe, demonstrando a importância do conhecimento local na construção do projeto.


A passagem por Guarapari reforçou a complexidade dos manguezais capixabas. Em um mesmo município, há áreas com forte presença de vida, rios com comunidades tradicionais, fragmentos urbanos muito impactados, formações incomuns sobre rochas e regiões onde a vegetação de mangue parece ter sido reduzida ou suprimida ao longo do tempo.


Com essas informações, o projeto avança na construção de um retrato dos manguezais do Espírito Santo, reunindo ciência, fotografia, memória, território e participação social.


O projeto é realizado pelo Instituto Últimos Refúgios, em conjunto com o FUNDÁGUA e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (SEAMA).


Até o momento, conta com o apoio de importantes instituições que fortalecem sua execução no território, como o Grupo Águia Branca, a Prefeitura de Aracruz, o SESC Aracruz e o IMD, por meio do Projeto Caiman, que somam esforços técnicos e institucionais à iniciativa.


Esses parceiros ampliam o alcance e o impacto do projeto, consolidando uma rede colaborativa em prol da valorização e conservação dos manguezais capixabas.


O projeto segue aberto à participação de novos parceiros em todo o litoral do Espírito Santo. Caso haja interesse em integrar essa iniciativa, entre em contato.



O Projeto ENTRE RAIZES E MARÉS: MANGUEZAIS CAPIXABAS é uma realização do Instituto Últimos Refúgios e FUNDÁGUA, com parceria do Grupo Águia Branca, Prefeitura de Aracruz e SESC Aracruz.


​PARTICIPE TAMBÉM: Tem interesse em ser parceiro deste projeto? Entre em contato. Acreditamos que a colaboração é a chave para a mudança!



Ficha técnica MANGUEZAIS


Coordenação Geral -  Leonardo Merçon

Coordenação de Produção -  Raphael Gaspar

Assistente de Coordenação -  Henrique Mariano

Coordenação de Pesquisa (Biodiversidade, Social e Ameaças) -  Iasmin Macedo

Consultoria em Gerenciamento Costeiro, Manguezal e Socioeconomia -  Danielle Awabdi

Consultoria em Ecossistema Manguezal -  Professora Mônica Tognella

Pesquisa de Biodiversidade - Thiago Silva-Soares

Pesquisa Social -  Daniela Gerhard

Fotografia (Direção e Captação) -  Leonardo Merçon

Assistente de Fotografia / Apoio Técnico -  Felipe Facini

Ilustração -  Jenifer Zamperlini

Logger e Organização do Banco de Imagens -  Marcella Rosa

Editoração do Livro -  Danielle Awabdi

Textos para o livro - Rafael de Rezende Coelho

Design Gráfico -  Felipe Facini

Educação Ambiental -  Caroline Reis

Administrativo e Financeiro -  Thiago Negrelli

Contabilidade - Orbis Contabilidade

Apoio administrativo - Thiago dos Santos Nunes




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