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- Pedra Azul: paraíso natural recebe Instituto Últimos Refúgios em sua última expedição
A quinta e última expedição do livro “Últimos Refúgios: De Pedra Azul ao Forno Grande” foi um grande sucesso. O projeto contemplado pela ‘Lei de Incentivo à Cultura’ representa um verdadeiro marco na história do Instituto Últimos Refúgios, além de oferecer um importante produto cultural focado na valorização da biodiversidade capixaba. Desta vez, a ONG levou a equipe em uma desafiadora jornada de dez dias no Parque Estadual da Pedra Azul para os últimos registros da fauna e flora local. A missão era encontrar espécies em áreas ainda inexploradas, com direito a escalada ao topo da Pedra Azul, um dos pontos turísticos mais famosos do Espírito Santo. Fotógrafo Leonardo Merçon registra uma Libélula. Foto: Augusto Gomes. Confira tudo o que rolou nessa aventura! PLANEJAMENTO As expectativas para a última expedição do projeto não poderiam ser maiores. O cronograma previa a exploração de uma área ainda desconhecida pela equipe: as porções de mata preservada nos arredores da Pedra Azul. O objetivo era aproveitar todos os locais - e oportunidades - para registrar a vida selvagem na região, apostando em diferentes horários do dia para capturar as nuances na paisagem e no comportamento dos animais. A expedição também seria um alívio à rotina de trabalho remoto implementada pelo Instituto em prevenção à Covid-19. O ar puro e o contato com a natureza foram grandes motivadores do último - e maior - trabalho de campo do projeto, sempre seguindo os protocolos de segurança sanitária. Fotografia noturna. Foto: Augusto Gomes CONTEXTO A pandemia de Covid-19 adiou as expedições ao Parque de Pedra Azul durante todo o ano de 2020, concentrando o trabalho fotográfico em visitas pontuais, com equipe reduzida, ao Parque Estadual de Forno Grande e lugares próximos à região. “Já tínhamos iniciado o trabalho em Pedra Azul com a disposição de armadilhas fotográficas, mas precisávamos ir pessoalmente ao parque para registrar os animais, as paisagens e contemplar as belezas do local”, conta o fotógrafo e cinegrafista de natureza Leonardo Merçon. Equipe em campo. Foto: Augusto Gomes. A equipe, então, abriu mão de duas expedições menores previstas para a reta final do projeto e optou por fazer uma grande expedição de dez dias pelo parque. “Além dos pontos conhecidos pelos turistas, nos preocupamos em visitar lugares que os visitantes não costumam ir, como as propriedades privadas nos arredores. Todos os proprietários nos acolheram de braços abertos, foram muito atenciosos e nos ajudaram em nossa jornada”, relata o fotógrafo. O campo reuniu uma ampla variedade de tarefas, desde fotografar um simples comedouro de pássaros próximo ao alojamento, até chegar ao cume da Pedra Azul, após horas de uma longa e desafiadora escalada carregando equipamentos fotográficos. Escalada. Foto: Augusto Gomes. COVID-19 A pandemia afetou o projeto ainda na expedição anterior, em março de 2020, quando o aumento exponencial no número de casos e implementação do isolamento social levou a uma redução dos dias da equipe em campo. No decorrer de 2020, o Instituto Últimos Refúgios fez visitas pontuais aos Parques de Pedra Azul e Forno Grande com equipe reduzida para monitoramento das câmeras especiais. Desta vez, os membros da equipe ficaram em quartos separados do alojamento, enquanto outros acamparam na parte externa. Além do uso contínuo de máscaras faciais e álcool em gel, o primeiro dia de trabalho teve um momento reservado para revisão das medidas de proteção durante a primeira reunião de planejamento. DESAFIOS A expedição culminou na escalada da Pedra Azul em um dos últimos dias em campo. O instrutor Diogo orientou a equipe durante todo o trajeto, inclusive na prática de rapel, modalidade que utiliza cordas e outros equipamentos de segurança em descidas íngremes. A experiência é aberta ao público, mas exige um instrutor habilitado e/ou experiência com o esporte. Equipe no topo da Pedra Azul. Foto: Augusto Gomes. Para a bióloga Iasmin Macedo, o esforço é recompensador: “Escalar a Pedra Azul dá uma sensação de adrenalina constante, ainda mais para pessoas com medo de altura, como eu. Ainda assim, todo o cansaço, bolhas nos pés e dores no corpo fazem valer a vista no topo da pedra. A descida com certeza é a parte mais desafiadora, mas felizmente todos se saíram bem. Nossa equipe está mais entrosada do que nunca, tornando o trabalho muito mais leve e descontraído”. Horizonte. Foto: Leonardo Merçon. MAKING OF A convite do Instituto Últimos Refúgios, o biólogo e fotógrafo de natureza Augusto Gomes se juntou à equipe para registrar os bastidores do trabalho em campo: “Foi incrível trabalhar neste projeto com uma equipe tão bacana. Já atuava profissionalmente como fotógrafo de natureza, mas esta foi minha primeira experiência atrás das câmeras. Registrar a equipe e não os animais, como estou acostumado, foi um exercício muito interessante e desafiador”, conta. O fotógrafo e biólogo Augusto Gomes. O fotógrafo revela que sempre foi fascinado pela fotografia de natureza, e espera encantar as pessoas com seus registros no novo livro do Instituto Últimos Refúgios: “Muitas vezes, quando folheamos um livro fotográfico, nos deparamos com uma fotografia incrível sem ter ideia de como foi feita. Espero que minhas fotografias possam transmitir a realidade envolvida na produção destas imagens, além de todo o tempo, esforço e dedicação envolvido na produção de um livro como este.” Fotografias de Augusto Gomes. O biólogo pauta seu trabalho em temas sobre biodiversidade e conservação, compartilhando com as pessoas aquilo que mais lhe encanta, o amor pela natureza. Atualmente, realiza trabalhos para revistas de divulgação científica, como National Geographic e bioGraphic Magazine, além de escrever para blogs sobre meio ambiente. RETA FINAL O último dia de qualquer expedição é dedicado à pós-produção, processo que mobiliza a organização de todos os materiais utilizados pela equipe, como equipamentos fotográficos, roupas de proteção, mantimentos e barracas, além da prestação de contas e a última verificação das câmeras especiais. O fotógrafo Leonardo Merçon sente-se realizado, e mal espera para revelar o resultado de quase dois anos de trabalho: “Voltamos para casa com a sensação de dever cumprido, muitas fotografias e histórias para contar. Agora partimos para a etapa de editoração do livro, com a diagramação, seleção e edição das melhores imagens. Este com certeza é um dos melhores livros que já fizemos, e estou muito ansioso para compartilhar o resultado com todos.” Pôr do sol. Foto: Leonardo Merçon. “Últimos Refúgios: De Pedra Azul a Forno Grande” tem data de lançamento prevista para MAIO de 2021. O livro "Últimos Refúgios: De Pedra Azul ao Forno Grande" é um projeto da Lei de Incentivo à Cultura realizado pelo Instituto Últimos Refúgios, Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo, com patrocínio do Grupo Águia Branca, Medsênior e Diaço, com apoio do IEMA e da Reserva Águia Branca.
- #Refloresta: conheça a campanha de restauração ambiental do Instituto Terra
O trabalho de restauração ambiental do Instituto Terra agora entra em novo ciclo com a campanha #Refloresta. A iniciativa busca recuperar áreas naturais degradadas do Vale do Rio Doce com o plantio anual de um milhão de árvores nativas da Mata Atlântica, além de conscientizar os brasileiros sobre a importância de preservar o meio ambiente. Nos últimos 20 anos, o Instituto foi responsável pelo plantio de cerca de 3 milhões de árvores na região entre Minas Gerais e Espírito Santo. A missão sempre foi estimular o desenvolvimento sustentável por meio da recuperação e da conservação das florestas, da proteção das nascentes de água, da educação ambiental e do uso correto dos recursos naturais. A campanha ganhou destaque na voz de Gilberto Gil e em importantes veículos de comunicação, como o programa Fantástico e o jornal A Gazeta. O fotógrafo e cinegrafista ambiental Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, contribuiu com os registros de natureza para os vídeos de divulgação. Confira alguns deles: FANTÁSTICO A música Refloresta, do cantor e compositor Gilberto Gil, inaugura a campanha do Instituto Terra em prol da recuperação da Mata Atlântica. O projeto potencializa o trabalho desenvolvido pela instituição há mais de 20 anos, recuperando áreas devastadas e conservando o que ainda resta da mata. Com participação especial de Bel Gil e Gilsons, a canção fala sobre a importância de respeitar e preservar a natureza. Confira o clipe abaixo e a reportagem completa no Fantástico. REDE GAZETA A TV Gazeta é uma das apoiadoras da campanha, e apresenta o trabalho de restauração ambiental do Instituto Terra na reportagem do Jornal do Campo. A matéria reúne especialistas ambientais, relatos sobre a história do Instituto e depoimentos de um dos fundadores, o fotógrafo Sebastião Salgado. Reportagem Jornal do Campo Segundo ele, a chave é fomentar o desenvolvimento de uma consciência ecológica coletiva: "Se quisermos sobreviver como espécie, precisamos ter no Brasil 200 milhões de pessoas preocupadas com ecologia, em manter o país para as gerações futuras”. A matéria também conta com imagens produzidas pelo Instituto Últimos Refúgios. Assista clicando aqui. INSTITUTO TERRA O Instituto Terra é uma organização civil sem fins lucrativos fundada em 1998 pelo fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa, Lélia Salgado. O casal se empenhou para reverter a degradação ambiental causada pelas atividades pecuárias na fazenda Bulcão (Aimorés, MG), antiga propriedade da família. A fazenda foi a primeira área degradada do Brasil a receber o título de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) com o compromisso de um futuro reflorestamento. Desde então, o instituto promove a restauração ambiental e o desenvolvimento sustentável no Vale do Rio Doce. A região cultiva mais de 6 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica, 2.100 hectares de floresta e cerca de 2 mil nascentes da bacia do Rio Doce em processo de recuperação. O objetivo é devolver a vida da mata, tornando-a cada vez mais biodiversa e autossustentável. Confira o vídeo institucional da campanha.
- “Cartaz educativo: conheça e proteja os gambás brasileiros”
Nesta época do ano, moradores da zona urbana podem se surpreender com a quantidade de gambás andando pelas ruas, casas, praças e condomínios. O cenário é consequência direta da fase reprodutiva da espécie, entre os meses de julho e novembro, já que agora os filhotes ganham liberdade para sobreviver na natureza sem ajuda materna. Os gambás são animais bastante discriminados pela sociedade. A falta de conhecimento sobre sua relevância e importância ambiental acaba se tornando um dos principais motivos de agressão à espécie. O encontro com um gambá, seja na área urbana ou rural, desperta medo, desconfiança e quase sempre é sucedido por ataques precipitados ao animal. Gambá-de-orelha-preta. Foto: Leonardo Merçon Foi pensando nisso que o Projeto Marsupiais desenvolveu um panfleto informativo com algumas informações e orientações sobre os gambás. O cartaz traz uma linguagem simples, divertida e acessível para fomentar o interesse das pessoas sobre a conservação da espécie na natureza. Conhecer o comportamento do animal, suas características e, principalmente, os diversos benefícios que oferecem à vida humana são fatores fundamentais para garantir sua segurança e bem-estar. O Projeto Marsupiais procura estimular essa mentalidade em suas ações de sensibilização ambiental nas mídias sociais. O material ficará disponível para imprimir e poderá ser divulgado em prédios, praças e condomínios para alertar o público sobre formas de conviver e proteger o animal. Vamos propagar amor aos marsupiais brasileiros! Acesse: Obs: Lembre-se de pedir autorização aos órgãos ou pessoas responsáveis para divulgação de qualquer material impresso.
- O gambá pode comer 4000 carrapatos em uma semana!
Precisamos ser realistas: a maioria das pessoas só protege aquilo que sabem que existe. Aquilo que conseguem ver. Aquilo que conhecem. Diversas pesquisas são desenvolvidas todos os anos e, mesmo com uma variedade de estudos sobre cada ser vivo da terra, pouco disso é transmitido para a população. Por quê? Porque existe limitação ao acesso a informações que são importantes para todos? É preciso mudar. Temos tecnologias capazes de auxiliar na transmissão desse conhecimento. Não é necessário muito. Por vezes, pequenas curiosidades são capazes de transformar o pensamento de alguém a respeito de um determinado animal, e essa transformação salva vidas. Salva o planeta. Enxergar diferente, conhecer os animais que habitam a terra junto com a gente, pode mudar muita coisa. O simples “Que interessante, não sabia disso”, é um primeiro passo para uma sociedade mais engajada. O gambá, por exemplo, é um animal bastante estudado, com inúmeras qualidades, mas o que chega aos olhos e ouvidos da população são os defeitos. São as características que, para nós, aparentam ruins, mas para eles, faz parte do cotidiano. Boatos e informações sem base científica, muitas vezes equivocadas, são compartilhadas, ao invés de usarmos a comunicação para beneficiar esses seres que fazem parte da vida na Terra. Na última semana publicamos a seguinte informação na página do Projeto Marsupiais no Facebook: Veja a publicação original no LINK Há muito tempo sabemos que os gambás são onívoros oportunistas, que se alimentam de uma diversidade de invertebrados. Na publicação, temos a informação de que esses animais são ótimos para aniquilar carrapatos, praga para diversas espécies e risco para saúde pública, já que transmitem inúmeras doenças. Os gambás têm obsessão por carrapatos e isso é benéfico para o ambiente por onde ele passa. A publicação mostrou diversas reações, teve mais de 30 mil compartilhamentos e um alcance de mais de 2 milhões e meio de pessoas. Informações como essa, apenas comprovam a importância da espécie, e um dos motivos pelos quais devemos preservá-la. É preciso reforçar a mensagem de que todas as vidas têm um papel a cumprir no equilíbrio ambiental, uma espécie se beneficia com o comportamento ou hábito de outra, mesmo que indiretamente. Antes de condenar um animalzinho, devemos buscar informação, devemos entender a sua importância para o ambiente onde vive, e valorizar o papel de cada um. O Projeto Marsupiais O Projeto Marsupiais é uma iniciativa do Instituto Últimos Refúgios, idealizada em maio de 2017, que visa à sensibilização ambiental através de imagens. O projeto tem como objetivo inicial aumentar o conhecimento sobre a fauna de Marsupiais presentes na Mata Atlântica, e assim promover sua conservação, através da sensibilização da população. Queremos também enriquecer o meio científico, pois ele é nosso grande aliado. Vamos desenvolver a pesquisa por meios de levantamentos inovadores, sem prejudicar os animais. Nosso grande objetivo é mostrar a riqueza dessas espécies e sua grande importância para o ecossistema como um todo e para o ser humano em particular. Ajude-nos a proteger nossos marsupiais! Curta a página e compartilhe nossas publicações. Se achar um marsupial que precise de atenção entre em contato conosco. Email: projetomarsupiais@gmail.com Página do Facebook: https://www.facebook.com/projetomarsupiais/ Instagram: https://www.instagram.com/projetomarsupiais/ * Texto de Iasmin Macedo, Bióloga, voluntária no Instituto Últimos Refúgios e Coordenadora do Projeto Marsupiais. * Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- Gambás são nossos aliados contra a febre maculosa: podem comer 4000 carrapatos em uma semana!
Dentre as espécies de marsupiais brasileiros temos o gambá (Didelphis sp.), às vezes menosprezado, mas muito importante. É muito importante que as pessoas não matem os gambás. Alguns os confundem com o Rato de esgoto (Rattus rattus), que é exótico (invasora no Brasil) e causam problemas de saúde pública, e muitos consideram esses ratos como pragas, exterminando-os. Os gambás também são mortos devido a essa falta de informação, causando impacto à fauna nativa brasileira. Foto: Cuidados e Reabilitação de filhote de gambá, Cetas-Ibama,Serra ES Existem no Brasil quatro espécies diferentes de Gambás, que são: Gambá-de-orelha-preta (D. aurita), Gambá-de-orelha-branca (D. albiventris), Gambá-comum (D. marsupialis) e Gambá-amazônico (D. imperfecta). Os Didelphis sp. são conhecidos de diversas formas no Brasil, e cada nome possui uma história que explica o seu significado. Gambá por exemplo, deriva da língua Tupi-guarani, "gã'ba" ou “guaambá”, que significa “mama oca” ou “seio oco”, referindo-se ao marsúpio, bolsa onde carregam os filhotes no período de desenvolvimento. Outros nomes populares do gambá no Brasil: Mucura, Cassaco, Timbú, Sarigué, Saruê, Raposa, Taibu, Micurê, entre outros. Não confunda Gambá e Cangambá, clique aqui. Fotos: Cuidados e Reabilitação de filhote de gambá, Cetas-Ibama,Serra ES O Período Reprodutivo dos gambás começa em meados de julho e posteriormente em Novembro. Esses dados podem variar em alguns indivíduos, variando também pelas condições climáticas. Sendo assim, podemos encontrar mamães gambás com seus filhotes desde julho, até os meses de março/abril. Elas costumam passar pelas casas em busca de alimento. Carrapato e doenças! Os carrapatos proliferam nas épocas mais quentes e úmidas do ano (setembro até abril). Quem anda nas matas nessa época sofre com eles. No entanto, podem permanecer inativos no ambiente por até 200 dias em períodos secos e frios. Sua taxa reprodutiva é alta, sendo que uma única fêmea pode colocar cerca de 3 mil ovos. Por estes e outros motivos são considerados pelos seres humanos como pragas de difícil controle. Foto: Carrapato em anfíbio. Existe uma infinidade de espécies de carrapatos pelo mundo. Nem todos são transmissores de doenças, mas alguns transmitem diferentes enfermidades. Por exemplo, os carrapatos do gênero Ixodes são transmissores da doença de Lyme (DL) na América do Norte. No Brasil a situação é um pouco diferente. Aqui temos a Síndrome Baggio-Yoshinari (SBY), conhecida popularmente por Doença de Lyme Brasileira, transmitida por outras espécies de carrapato, dos gêneros Amblyomma ou Rhipicephalus, que também podem transmitir a Febre maculosa. Lyme Brasileira é considerada uma enfermidade infecciosa causada por bactéria (espiroquetas) do complexo Borrelia burgdorferi e transmitida pela picada de carrapatos do grupo Ixodes ricinus. Os primeiros casos semelhantes à DL no Brasil foram descobertos, em 1992, em irmãos que após serem picados por carrapatos desenvolveram eritema migratório (lesão de crescimento circular, de bordas avermelhadas e centro mais claro, no local da picada), sintomas de gripe e artrite, que são: febre, mal estar, calafrios, fadiga, dores de cabeça e dores musculares. Sintomas menos comuns incluem náusea e vômito, dor de garganta, dor nas costas e aumento do baço. A doença tem cura desde que seja feito o tratamento correto, no entanto pode deixar sequelas. Casos da doença no Brasil: no final de 2018, uma estudante de Biomedicina foi diagnosticada com Lyme Brasileira na cidade de Recife, Pernambuco. O diagnóstico foi tardio e a doença passou para a forma crônica (que persiste por longo período). A própria paciente, inconformada por não ter um diagnóstico, começou a buscar sobre os seus sintomas e suspeitou da doença de Lyme. Enviou amostras de sangue para o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), referência em estudos sobre a doença no Brasil, e só assim conseguiu o diagnóstico. No Brasil, a febre maculosa é também conhecida como tifo transmitido pelo carrapato, febre petequial ou febre maculosa brasileira. É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii transmitidas por carrapatos. A maioria dos casos se concentra na região sudeste, com casos esparsos em outros estados brasileiros, em especial no sul do Brasil. As taxas de mortalidade giram em torno de 20 a 30%, em função das dificuldades em se fazer o diagnóstico e estabelecer a terapia apropriada, relacionadas ao pouco conhecimento sobre a doença e à sintomatologia pouco específica. Feito o diagnóstico o mais rápido possível e com o tratamento adequado o paciente pode obter a cura para a doença. A partir da picada do carrapato infectado, a riquétsia se dissemina pelo organismo via vasos sanguíneos, atingindo pele, cérebro, pulmões, coração, fígado, baço, pâncreas e trato gastrointestinal. Os sintomas podem ser inespecíficos (febre alta; cefaleia; dor muscular intensa; mal-estar generalizado; náuseas; vômitos e dor abdominal). Entre o terceiro e o sexto dia da doença surge o exantema maculopapular (erupção na pele), com predomínio nos membros superiores e inferiores. No paciente não tratado, os hematomas tendem à confluência, podendo evoluir para necrose, principalmente em extremidades (mãos, pés, lóbulo de orelha e nariz). Casos de febre maculosa no Brasil: Em junho 2019, na cidade de Contagem (Minas Gerais), foi confirmada a morte de quatro pessoas, da mesma família, com febre maculosa. Outros 54 casos foram notificados e a Secretaria Municipal de Saúde já alerta para um surto da doença. Assim como em Belo Horizonte já foi emitido um alerta preventivo. Em anos anteriores, 2018 e 2017, somam-se 41 mortes pela doença. Estas doenças só podem ser transmitidas aos seres humanos e outros mamíferos por meio da picada de um carrapato. Segundo o Instituto Cary (Cary Institute of Ecosystem Studies), este deve permanecer aderido a pele por mais de 3 horas para que a pessoa seja infectada, sendo suficiente apenas uma picada. Estudos mostram que moscas, mosquitos e pulgas não são transmissores dessas doenças. Também não é possível a transmissão pelo ar. Fotos: Carrapato em pessoa. Os carrapatos fazem uma única refeição de sangue em cada um dos estágios de vida (larva, ninfa e adulto). Eles podem nascer livres dos patógenos e adquirir quando se alimentam de animais infectados ou então a transmissão é feita da fêmea para os ovos, desta forma o carrapato estará infectado durante toda a vida e pelas próximas gerações. Os roedores (ratos, esquilos, capivaras e outros) são considerados reservatórios mais eficientes, podendo abrigar um número elevado de carrapatos sem comprometer sua saúde. O Gambá e outros ajudantes nessa causa O Instituto Cary (Cary Institute of Ecosystem Studies), nos Estados Unidos, realiza há mais de 20 anos pesquisas relacionadas à doença de Lyme (DL). Através desses estudos fica clara a importância de gambás (Didelphis sp.) e outros animais silvestres no controle de pragas e zoonoses. Os gambás são considerados “armadilhas ecológicas” para os carrapatos, pois consomem milhares deles por semana e passam um número muito baixo de carrapatos que consigam infectar os seres humanos. Gambás percorrem grandes distâncias pelas florestas, e os carrapatos aproveitam para pegar uma carona. Porém, gambás gostam de se manter bem limpos. Por isso matam um a um, ingerindo alguns, que servem como fonte de proteína. Foto: Gambá-de-orelha-preta na Mata Atlântica, no Espírito Santo. As pesquisas conduzidas pelo Instituto Cary colocaram seis diferentes espécies de animais - rato-de-patas-brancas (Peromyscus leucopus), esquilo-tâmia (Tamias striatus), esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis), gambá-da-virgínia (Didelphis virginiana), sabiá-norte-americano (Catharus fuscescens) e ave-cinzenta (Dumetella carolinensis) - em gaiolas, cobriram-nas de carrapatos e esperaram que eles saltassem nos animais. Vinte e quatro horas depois, por quatro dias, contaram quantos sobreviveram. Os gambás removeram 96,5% dos carrapatos, sendo que estes foram ingeridos ou apenas desmembrados. O resultado nos mostra que os gambás são os mais eficientes na eliminação dos carrapatos. Demais animais removeram 50,7% (Ratos), 82,8% (Esquilos-cinzento), 75,7% (Esquilos-tâmia), 72,4% (Sabiás), 73,3% (Aves-cinzenta). Essas pesquisas ainda sugerem que o sistema imunológico dos gambás é bastante eficaz no combate à doença. Assim, até mesmo os carrapatos que sobrevivem a uma visita a um gambá, são menos propensos a adquirir a doença. Acredita-se que outros mamíferos, principalmente os de médio porte, também são eficazes por eliminar as infestações de carrapatos e impedir a epidemia de doenças. O problema é que não é possível testar estes outros mamíferos em laboratório, assim como fizeram com os gambás, mas foram obtidos resultados satisfatórios por meio de outro estudo. O estudo consistiu na observação das espécies de mamíferos carnívoros (coiotes, raposas, linces, marta-pescadoras, guaxinins e gambás) e em seguida foi realizada uma análise estatística para relacionar a porcentagem de ninfas de carrapatos infectadas, com dados sobre a quantidade de mamíferos e tamanho da área florestal. Os resultados mostraram que locais com alta diversidade de predadores, principalmente raposas, linces, gambás e guaxinins, tiveram menor prevalência de infecção em ninfas de carrapatos. Ou seja, o risco aumenta em áreas sem esses animais, que são predadores e hospedeiros mamíferos eficientes em matar carrapatos. O ambiente: As mudanças climáticas são o maior problema e não os reservatórios e hospedeiros As mudanças na temperatura mundial são um grande problema que potencializa a proliferação de pragas e doenças. É um efeito cascata: aumenta a temperatura, aumenta a reprodução de ratos, aumenta a proliferação de carrapatos e consequentemente aumenta a epidemia de doenças. A fragmentação de florestas e a aproximação da população nestas áreas colocam as pessoas em riscos, pois elas estão criando ambientes favoráveis para que os ratos se multipliquem. Fotos: Roedor da fauna nativa do Brasil. Além disso, diminuímos a capacidade do ambiente de comportar animais de médio e grande porte, que nos ajudariam no controle de animais reservatórios e hospedeiros, como os ratos. Diminuímos também a variedade de aves e outros mamíferos menos eficientes na transmissão dessas doenças, deixando o ambiente restritos aos animais menos exigentes e com um número maior de carrapatos infectados. Para um ambiente ter uma abundante diversidade de espécies, ele precisa ser preservado e equilibrado. Estudos comprovam que essas doenças ficam restritas ao ambiente se ele estiver equilibrado: os animais predadores vão atuar no controle dos animais reservatórios e hospedeiros, além de restringir os movimentos destes, impossibilitando assim o deslocamento para outros ambientes. Fotos: Mata Atlântica do Espírito Santo. Existe no Brasil um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que constatou que o desmatamento da Floresta Amazônica está diretamente relacionado a um aumento nas epidemias de diversas doenças como a malária, leishmaniose, dengue, febre amarela, dentre outras. Além disso, um outro estudo, realizado em 2011 por pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, observou que, no estado de São Paulo, fragmentos florestais da Mata Atlântica em melhor estado de conservação não apresentam casos de febre maculosa, transmitida pelo carrapato. O fato é que, se preservarmos os ambientes saudáveis para os gambás e outras populações de animais, sejam eles mamíferos, carrapatos ou quaisquer outras, estaremos nos protegendo contra uma infinidade de doenças. No entanto, ao contrário disto, a maioria de nós ainda prefere uma abordagem mais simples e direta para tratar desses problemas, como, por exemplo, por meio de produtos químicos e tóxicos que neutralizem as pragas, acreditando que com estes métodos estaremos livres das doenças. O que não prevemos é que essas medidas são promessas de curto prazo, pois em poucos meses outras enfermidades surgiriam. Além de que a natureza, com toda sua beleza, pode nos proporcionar inúmeros benefícios, nos dando uma vida muito mais saudável. Fotos: Mata Atlântica do Espírito Santo. Até o momento, por exemplo, nos Estados Unidos os combates aos cervos e a pulverização de gramados com pesticidas que matam carrapatos não foram eficientes no combate a incidência de doenças transmitidas por carrapatos, que estão se espalhando no centro-oeste dos Estados Unidos, em partes do Canadá e em altitudes mais elevadas na Europa. Isso mostra que devemos abordar de forma diferente no combate a essas pragas e zoonoses aqui no nosso país. Após ter acesso a esses estudos, nossa conclusão é que, para melhor nos proteger, as autoridades responsáveis pela área da saúde pública, deveriam apostar e investir mais em intervenções de proteção às espécies que nos ajudam a controlar as doenças, além de todo o ambiente, preservando os habitats para os predadores específicos. Foto: Mudas para replantio. As ações do projeto visam a permanência das espécies de marsupiais nos ambientes naturais, assim eles poderão contribuir exercendo seu papel ecológico. As ações de conservação dos marsupiais realizadas pelo projeto envolvem principalmente a disseminação de informações e curiosidades sobres essas espécies e com isso é possível sensibilizar a população para a importância dos animais, como os gambás, que por vezes são muito discriminados. Fotos: Atividades do Projeto, 1: reabilitação de gambá filhote; 2: soltura de gambá jovem. O projeto também atua em apoio ao resgate, cuidados, reabilitação e soltura de marsupiais. Com isso, ajuda a manter as populações de gambás e cuícas em ambientes de preservação. As pesquisas do projeto estão em seus anos iniciais, com o objetivo de preencher lacunas acerca do conhecimento sobre as espécies de marsupiais. Ainda há muito o que conhecer sobre a fauna presente nos biomas brasileiros e do mundo. Foto: Gambá jovem após soltura. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Fontes consultadas: BBC: Doença de Lyme. https://www.bbc.com/portuguese/geral-47939065 Globo: Febre maculosa MG. https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/06/12/prefeitura-de-contagem-tem-47-notificacoes-de-febre-maculosa.ghtml R7: Febre maculosa MG. https://noticias.r7.com/minas-gerais/casos-de-febre-maculosa-em-mg-tem-aumento-de-240-em-dois-anos-04062019 Embrapa: Infestação de carrapatos. https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/8331361/infestacao-de-carrapatos-em-bovinos-aumenta-nesta-epoca-do-ano Minha vida: Doença de Lyme. https://www.minhavida.com.br/saude/temas/doenca-de-lyme Tua saúde: Doença do carrapato. https://www.tuasaude.com/doenca-do-carrapato/ Folha de Londrina: Primeiro caso de doenças do carrapato. https://www.folhadelondrina.com.br/saude/londrina-tem-o-primeiro-caso-de-doenca-transmitida-pelo-carrapato-978135.html Fiocruz: Doença de Lyme no Brasil ou Borreliose brasileira. http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=745&sid=8 The New York Times: "O pior inimigo da doença de Lyme? Pode ser raposas." Tradução. Secretaria de Estado da Saúdo do Espírito Santo: Febre maculosa. https://www.nytimes.com/2017/08/02/science/ticks-lyme-disease-foxes-martens.html?_r=0 Guia de Vigilância Epidemiológica. Febre Maculosa Brasileira. Caderno 12. Secretaria de Vigilância em Saúde, Mato Grosso do Sul. 2010. M. Santos; V. Haddad Jr; R. Ribeiro-Rodrigues; S. Talhari. Borreliose de Lyme. An. Bras. Dermatol. vol.85 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962010000600029. Del Fiol FS, Junqueira FM, Rocha MCP, Toledo MI, Barberato Filho S. A febre maculosa no Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2010; Instituto Cary (títulos traduzidos): Gambás: Onde a doença de Lyme vai morrer. https://www.caryinstitute.org/newsroom/opossums-where-lyme-disease-goes-die?fbclid=IwAR3gdiuEzbyHRnL20JJmPOt9Af1p4bWAA5L10MAwCJd-_F2Z6BLI9AFqcE8 Os gambás são os salvadores dos humanos contra a doença de Lyme - não os atropelem. https://www.caryinstitute.org/newsroom/opossums-are-saviors-humans-against-lyme-disease-don-t-make-them-roadkill Mudanças climáticas podem estar aumentando a abrangência da doença de Lyme. https://www.caryinstitute.org/newsroom/climate-change-could-be-increasing-footprint-lyme-disease A verdade assustadora sobre a doença de Lyme. https://www.caryinstitute.org/newsroom/scary-truth-about-lyme-disease Doença de Lyme e gambás. https://www.caryinstitute.org/discover-ecology/podcasts/lyme-disease-opossums?fbclid=IwAR25TnpthSJFFgz5Fo8bZaY_ztRjZQ8O2YI7CnnvudMd9djx06Av8lihOpU Use a biodiversidade natural para combater a doença de Lyme. https://www.caryinstitute.org/newsroom/use-natural-biodiversity-fight-lyme-disease?fbclid=IwAR0ZY6i-LBklPg-nuLBeTiF921V0UcSBcArEhLYqIHLfNiCzCO1X_ELBo-0 O pior inimigo da doença de Lyme? Pode ser raposas. https://www.caryinstitute.org/newsroom/lyme-disease-s-worst-enemy-it-might-be-foxes 8 fatos sobre a ecologia de Lyme. https://www.caryinstitute.org/newsroom/8-facts-about-ecology-lyme?fbclid=IwAR1pxvFbdJxt-gvFXe2vnqjax8w44sjCyonvcQybWFIGwIdkpCJOPQLs9CY Ecologia florestal molda o risco da doença de Lyme no leste dos EUA. https://www.caryinstitute.org/newsroom/forest-ecology-shapes-lyme-disease-risk-eastern-us?fbclid=IwAR1BROdadu54iB3c75ayxC7miveO34h1dpM-D5jH7th_eMPnfPo8fRgkim4 F. Keesing, J. Brunner, S. Duerr, M. Killilea, K. LoGiudice, K. Schmidt, H. Vuong and R. S. Ostfeld. Hosts as ecological traps for the vector of Lyme disease. Proc. R. Soc. B published online 19 August 2009. https://doi.org/10.1098/rspb.2009.1159 (Título traduzido: Hospedeiros como armadilhas ecológicas para o vetor da doença de Lyme). R. S. Ostfeld, T. Levi, F. Keesing, K. Oggenfuss, and C. D. Canham. “Tick-borne disease risk in a forest food web”. Ecology, vol. 99, no. 7, p. 1562 - 1573, 2018. https://doi.org/10.1002/ecy.2386 (Título traduzido: Risco de doenças transmitidas por carrapatos em uma teia alimentar florestal)
- Extinção de Marsupiais pelo mundo
Extinção: acreditamos que muitos já ouviram essa palavra e sabem que ela não é uma coisa muito boa. No dicionário, significa desaparecimento definitivo de uma espécie animal ou vegetal. Este processo pode ser causado por vários fatores, mas hoje em dia o principal é a ação antrópica, que são alterações provocadas pelo homem no planeta terra. As alterações podem ser diminuição, poluição e destruição dos habitats, caça predatória, inserção de espécies exóticas, entre outras. Além das mudanças climáticas que também possuem relação com as atitudes dos seres humanos. Foto: Incêndio no Brejo Herbáceo do PEPCV - Leonardo Merçon 2008 Existem diferentes formas de extinção, como por exemplo a filética, a de fundo, em massa e a funcional. A extinção filética acontece quando uma espécie muda tanto que se transforma em outra totalmente diferente. A de fundo, quando duas espécies diferentes competem por um mesmo recurso, e só uma sobrevive. A extinção em massa, é como a extinção dos dinossauros, levando várias espécies num curto período a desaparecerem. Por fim temos a funcional, que diferente das citadas acima, ainda permanecem alguns indivíduos, no entanto estes não conseguem manter a espécie ou quando desaparecem os registros fósseis ou registros históricos. Além destas formas de extinção, tem-se algumas espécies que são ditas como extintas na natureza, sendo então espécies que só temos em cativeiros, como zoológicos. Foto: Orangotango-de-borneu (Pongo pygmaeus) em cativeiro (espécie não extinta na natureza) - Leonardo Merçon 2013 Por que os Coalas foram ditos como funcionalmente extintos? Os coalas (Phascolarctos cinereus) são marsupiais encontrados na Austrália. Vivem cerca de 20 anos, são considerados sexualmente maduros entre 3 e 4 anos. Possuem poucos predadores, o que poderia ajudar a manter uma grande população. No entanto, esses animais vêm sofrendo muito com o aquecimento global e com a caça predatória. Foto: Coala (Phascolarctos cinereus) descansando em uma árvore - Thiago Silva-Soares 2018 Recentemente a Fundação Australiana dos Coalas (Australian Koala Foundation - AKF) anunciou que os Phascolarctos cinereus estão funcionalmente extintos. Existem dois motivos para uma espécie ser dita como funcionalmente extinta, o primeiro é quando ela já não tem indivíduos suficientes em idade reprodutiva para gerar uma próxima geração e essa baixa quantidade de coalas pode causar endocruzamentos, acasalamento de animais geneticamente próximos, perdendo a variabilidade genética e também podendo nascer animais com má-formação; o segundo é quando o animal não causa impacto significativo no seu ecossistema. No caso do coala, ele se alimenta do eucalipto e há uma interação entre os dois, um crescimento mútuo: quando um mudava o outro também mudava, agora isso não acontece mais, como se o eucalipto tivesse se adaptado à vida sem esse consumidor. Outros dois marsupiais australianos que estão entrando para a lista de animais em Extinção: O Wombat e o Diabo da Tasmânia! Wombats, ou vombates, são marsupiais endêmicos da Austrália. Vivem em média 14 anos, sua dieta é basicamente herbívora. São mamíferos com hábitos noturnos e com o tamanho entre 90 a 115 centímetros. Eles são de difícil observação na natureza por serem noturnos e vivem em tocas subterrâneas que são construídas com suas poderosas garras e dentes. Existem poucos desses animais em vida livre, e eles vem sofrendo com uma doença, a sarna sarcóptica, que pode abrir portas para doenças secundárias que podem ser fatais, então além de sofrer com os impactos causados pelos seres humanos, também sofrem com essas doenças que pode extinguir a espécie. Foto: Wombat em cativeiro - Thiago Silva-Soares 2018 São três espécies existentes na Austrália: Vombatus ursinus, Lasiorhinus krefftii e Lasiorhinus latifrons. Duas delas estão sob ameaça da doença, que pode deixá-los surdos e cegos antes de matá-los. Causada por uma infestação de ácaros que levam a infecções secundárias que podem debilitar e eventualmente matar o animal. Os ácaros vão literalmente cavando a pele dos animais causando coceira, o que irrita a pele. Além disso, eles abrem porta para o surgimento de infecções bacteriana, levando à extinção as duas espécies afetadas. Já o Diabo da tasmânia, conhecido cientificamente por Sarcophilus harrisii, ou popularmente como “Taz” do desenho animado Looney Tunes, vem sofrendo com um câncer contagioso. O câncer é transmitido por meio do contato físico, que provoca uma deformidade no focinho e boca do animal, impossibilitando-os de se alimentarem. O caráter agressivo do animal abriu caminho para a disseminação da doença. Estima-se que desde de 1996 a espécie perdeu 80% de sua população, o que a classificou como vulnerável na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Foto: Personagem de desenho animado da Walt Disney, Looney Tunes, Taz - Diabo da Tasmânia. Imagem encontrada no Wallpaper Safari Em contrapartida, esta espécie teve uma luz no fim do túnel, pesquisadores brasileiros descobriram uma proteína em aranhas-caranguejeiras que tem poder de atuar no desenvolvimento celular. A proteína modifica e dificulta o desenvolvimento das células de tumor. O pesquisador Pedro Ismael da Silva Jr., do Centro de Toxinas, Resposta-imune e Sinalização Celular (CeTICS), ainda sugere que essa proteína pode ter ação em qualquer tipo de câncer. Além desses três, temos mais de onze outras espécies de marsupiais não brasileiros que estão em risco de extinção, que são os Woylies, Talaud-bear-cuscus, Gambá-pigmeu-da-montanha, Cangurus-arborícolas, Tenkile, Dorcopsis-preto, Gambá-leadbeater, Gambá-esbelto-de-Handley, Planador-do-norte, Cuscos, Dunnart-da-ilha-kangaroo. E os marsupiais Brasileiros? Existe alguma espécie que corre risco de extinção? Temos espalhados pelo Brasil, cerca de 57 espécies de marsupiais. Em 2018 o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - Ministério do Meio Ambiente, lançou a atualização do Livro Vermelho, que aborda as espécies ameaçadas do país. Nele estão listadas 7 (sete) espécies de marsupiais que correm perigo, quatro delas são: cuíca-de-colete (Caluromysiops irrupta), cuíca (Marmosops paulensis), catita (Thylamys macrurus) e catita (Thylamys velutinus). Infelizmente, tanto na lista nacional, quanto na IUCN, a maioria delas está listada como fora de perigo, mas quando avaliamos as espécies por estado a situação é totalmente alarmante. Como por exemplo vamos citar a Cuíca-d’água (Chironectes minimus), listada como Menos preocupante (LC) nas listas nacional e internacional, no entanto está criticamente em perigo (CR) ou vulnerável (VU) em diversos estados brasileiros. Inclusive no estado do Espírito Santo, onde não é registrada cientificamente desde 1940. Cuíca-d’água (Chironectes minimus) no Cerrado brasileiro - Leonardo Merçon 2016 Outra espécie que está na mesma situação é a Catita-de-cauda-curta (Monodelphis scalops), também classificada como pouco preocupante, mas na lista de espécies ameaçadas do estado do Espírito Santo está criticamente em perigo. Esses dados nos colocam em alerta, sugerindo que precisamos de muitos mais estudos para conhecer cada vez mais as espécies em nosso país. Com esses resultados é possível estabelecer ações mais efetivas para a preservação da nossa fauna. Somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, se todos nós fizéssemos um pouquinho pelo meio ambiente nenhum animal ou planta estaria em extinção ou conseguiríamos preservar o pouco que nos resta. Lembre-se que ajudando o meio ambiente e a esse animais estamos ajudando a nós mesmos. Foto: Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) em Pedra Azul, ES - foto por Leonardo Merçon 2014 O Projeto Marsupiais é uma iniciativa do Instituto Últimos Refúgios, criado em 16 de maio de 2017. Sua ações visam a permanência das espécies de marsupiais nos ambientes naturais, assim eles poderão contribuir exercendo seu papel ecológico. As ações de conservação dos marsupiais realizadas pelo projeto envolvem principalmente a disseminação de informações e curiosidades sobres essas espécies e com isso é possível sensibilizar a população para a importância dos animais, como os gambás, que por vezes são muito discriminados. O projeto também atua em apoio ao resgate, cuidados, reabilitação e soltura de marsupiais. Com isso, ajuda a manter as populações de gambás e cuícas em ambientes de preservação. Email: projetomarsupiais@gmail.com Ajude-nos a proteger nossos marsupiais! Siga o Projeto Marsupiais e compartilhe nossas publicações. Artigo 29 da Lei nº 9.605 (Lei de Crimes Ambientais) de 12 de Fevereiro de 1998 É crime - Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida. Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Em casa: Projeto Marsupiais disponibiliza história para colorir
O Projeto Marsupiais, em uma iniciativa divertida para integrar sensibilização ambiental e criatividade, está produzindo histórias em quadrinhos educativas. A primeira tirinha apresenta um carismático gambá que divulga informações sobre a importância ecológica da espécie. As políticas de distanciamento e isolamento social, motivadas pela pandemia da Covid-19, transformaram a rotina de muitas pessoas. O trabalho nos escritórios, universidades e estabelecimentos comerciais deu lugar à atividades remotas, realizadas em casa, deixando mais tempo livre para o lazer e o entretenimento. Neste contexto, o Projeto Marsupiais desenvolve atividades que sensibilizem crianças, adultos e contribuam para preencher os momentos ociosos, com participação de toda a família. Acesse a pasta no GOOGLE DRIVE para fazer o download da tirinha e imprimir a versão em preto e branco - para colorir - em português ou inglês. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Roedores X Marsupiais: quais são as diferenças?
Você já se perguntou se marsupiais e roedores são o mesmo tipo de animal? Ou já confundiu um gambá com um rato? Esses animais possuem algumas semelhanças e por isso são facilmente confundidos por quem não os conhece bem. Vamos aprender um pouco mais sobre cada grupo e identificar quais caracteres podemos usar para diferenciá-los. Fotos: Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) e Rato-comum (Rattus rattus - espécie exótica, invasora). João Pedro Zanardo; Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios. Para iniciarmos nossa conversa, precisamos entender que gambás e ratos são parentes biológicos muito distantes. Apesar de serem visualmente semelhantes, os ratos são placentários, isto é, o desenvolvimento dos filhotes ocorre na placenta, útero, órgão interno ao corpo da mãe que estabelece uma comunicação entre ambos. Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Já os gambás são marsupiais, animais que tem como principal característica a forma de desenvolvimento dos filhotes, que nascem prematuros (cerca de 10 dias de gestação) e terminam o desenvolvimento agarrados as mamas. Alguns marsupiais possuem o marsúpio, bolsa no abdômen da mãe, que protege os filhotes. Marsúpio de gambá (Didelphis). Foto: Iasmin Macedo - Projeto Marsupiais Tais características, apesar de não nos ajudar muito na diferenciação desses animais, nos fazem compreender melhor o quanto são distintos, pois o modo como os filhotes se desenvolvem determina diferenças metabólicas e reprodutivas, por exemplo. A diferença externa mais evidente entre esses grupos está em sua dentição: os marsupiais brasileiros (gambás e cuícas) possuem uma dentição mais semelhante à de um cão, ou seja, com a presença de dentes incisivos, caninos, pré-molares e molares, não apresentando a longa dentição incisiva específica dos roedores. Como exemplo, temos a cuíca-marrom (Marmosa murina) que possui um focinho mais alongado que o do rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis). Fotos: Iasmin Macedo - Projeto Marsupiais Quando esse marsupial se sente ameaçado, expõe seus muitos dentes, finos como agulhas, diferentemente dos roedores, que não abrem a boca para expor sua dentição, mesmo quando se encontram numa situação de perigo, pois simplesmente decidem morder seu oponente. Vale destacar que ambas as espécies apenas atacam pessoas com mordidas quando se sentem ameaçados, pois esta é a estratégia que utilizam para se defender. Outros métodos que podemos adotar, caso não seja possível conferir a dentição do animal, são as características externas. Gambás do gênero Didelphis, comumente encontrados em áreas urbanas, possuem a pelagem mais densa e desgrenhada, apresentando, normalmente, mais de uma coloração. Diferente da coloração uniforme, geralmente em tons escuros de cinza, verificada nos ratos urbanos. Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita). Foto: Daniel Gois - Projeto Marsupiais Ainda podemos verificar nos gambás a presença de manchas escuras ao redor dos olhos e uma listra vertical escura entre eles. Essa característica é bem presente em várias espécies de marsupiais, como na cuíca-lanosa (Caluromys philander) e outras cuícas, como as do gênero Marmosa. Mesmo com todas essas diferenças, existem ainda as exceções, como a espécie de marsupial Monodelphis domestica, que apresenta uma coloração cinza uniforme e orelhas curtas, como em alguns ratos. Contudo, diferente dos ratos que possuem uma cauda bem longa, esse marsupial possui uma cauda curta, menor que o tamanho do seu corpo. Cuíca-marrom (Marmosa murina) e Rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis). Fotos: Iasmin Macedo - Projeto Marsupiais Além destas características, podemos analisar também as patas dianteiras e traseiras de ambos os animais. No caso das patas dianteiras, os marsupiais possuem dedos mais espaçados, como no formato de uma “estrela”, ao contrário dos roedores, que possuem dedos mais juntos uns dos outros. Em ambos, todos os dedos das patas dianteiras possuem garras, muito utilizadas para escalarem árvores e outros suportes. Além disso, essas patas são utilizadas principalmente para segurar o alimento que coletam. Cuíca-lanosa-cinza (Marmosa paraguayana), Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) e Rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis). Fotos: Iasmin Macedo - Projeto Marsupiais Temos também as características diagnósticas das patas traseiras, que se diferenciam entre as espécies conforme o habitat no qual se encontram. Normalmente, essas patas são mais robustas que as dianteiras, pois suas funções (locomoção, sustentação e arranque) exigem um melhor condicionamento físico. No caso das patas traseiras dos marsupiais, os dedos tendem a ser mais curtos nas espécies terrícolas (que vivem sobre o solo) e longas nas espécies arborícolas (que vivem sobre a copa das árvores) e escansoriais (que vivem em ambos os habitats). Em todos estes casos, as patas traseiras possuem cinco dedos. No entanto, um deles permanece oposto aos demais, sendo desprovido de garra ou unha. Este dedo tende a ser maior nas espécies arborícolas e escansoriais, permitindo que abracem os galhos das árvores, numa atitude de sustentação. Todos os dedos são livres entre si, exceto na cuíca-d’água (Chironectes minimus), que possui membranas interdigitais bem desenvolvidas para a natação. No caso dos roedores arborícolas, as patas traseiras são mais curtas, largas ou compactas, possibilitando um maior equilíbrio em galhos estreitos. Em roedores terrícolas, as patas traseiras são mais alongadas e estreitas, permitindo maior sustentação e firmeza, auxiliando em corridas na busca de alimento ou fuga de predadores. Diferente dos marsupiais, os roedores não possuem o dedo opositor em suas patas traseiras. Existem algumas espécies de roedores também semi-aquáticas, que também possuem as membranas interdigitais. Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) e Rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis). Fotos: João Pedro Zanardo; Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios. Por fim, podemos diferenciar marsupiais de roedores também pela cauda, pois sua presença, características e funções podem variar conforme a espécie. Em todas as espécies de marsupiais que ocorrem no Brasil, a cauda se faz presente, sendo fundamental na locomoção e no equilíbrio desses animais, podendo apresentar uma superfície lisa ou coberta por escamas. Na grande maioria, a cauda é longa, maior que o comprimento do corpo e da cabeça, e também é preênsil, funcionando como um quinto membro, o que os auxilia no deslocamento em árvores, por exemplo. Em outras espécies, a cauda pode ser curta, como no gênero Thylamys sp. A coloração e a extensão da pelagem também podem variar conforme a espécie. Na maioria das espécies, a pelagem corporal restringe-se à base da cauda. No entanto, na cuíca-lanosa-cinza (Marmosa paraguayana) a base da cauda é coberta de uma pelagem por uns três centímetros. No caso do jupati (Metachirus sp.), a cauda é inteiramente desprovida de pelos. Essa espécie se assemelha à cuíca-quatro-olhos (Philander opossum), no entanto, possui a cauda gradualmente despigmentada na porção terminal. A cauda da espécie Cuíca-d’água (Chironectes minimus) também é utilizada como quinto membro e tem função de leme, ou seja, ajuda na locomoção e direção que a cuíca percorre dentro do rio. Em roedores, como o rato-da-árvore (Rhipidomys mastacalis), a cauda é longa, podendo atingir um comprimento maior que o seu corpo. A cauda desses roedores pode ser completa ou parcialmente desprovida de pelos, sendo utilizada, principalmente, para o equilíbrio durante sua locomoção. As ratazanas costumam ser mais ágeis, pois também utilizam a cauda para gerar um atrito que as auxiliem a escalar superfícies lisas. Entretanto, a cauda dos roedores são semi-preênsil, de modo que não conseguem utilizá-la para se agarrarem em galhos. Foto: Esquilo (Guerlinguetus ingrami), espécie de Roedor com cauda peluda. Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios. Além disso, a cauda destes animais tem a função de termorregulação, pois são formadas por um tecido altamente vascularizado, permitindo uma modificação do fluxo sanguíneo, e, por consequência, uma troca de calor com o meio ambiente. Em alguns roedores a cauda pode ser bastante curta ou vestigial, como nos preás (Cavia porcellus), cutias (Dasyprocta as.) e capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris). Com todas essas características específicas de cada grupo, seja marsupial ou roedor, bem como as diferenças apresentadas entre ambos, será fácil reconhecê-los e distingui-los. Assim, saber diferenciar tais grupos nos ajuda a conversar as espécies, a exemplo das que são nativas da fauna brasileira, como a cuíca-marrom e o rato-da-árvore. Para tanto, o Instituto Últimos Refúgios apoia vários projetos de conservação, a exemplo do Projeto Marsupiais, que visa a conservação dos gambás e cuícas, fauna marsupial brasileira. Autores: Iasmin Macedo, Jessika Albuquerque, Ana Clara Mardegan, Rafael Carvalho e Laiz Pontes. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Proteína de Gambás pode ser Antídoto Universal contra picadas de Serpentes Peçonhentas
Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) e Jararaca-da-mata (Bothrops jararaca). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Ainda que discriminados pela população, os gambás são espécies fundamentais para o equilíbrio ecológico e manutenção de habitats naturais. A conservação destes animais oferece inúmeros benefícios ao meio ambiente e aos seres humanos, embora a maioria não saiba disso. A espécie é bastante confundida com o rato-de-esgoto (Rattus rattus), animal exótico (que não ocorre no Brasil) trazido ao continente americano na época das grandes navegações e que até hoje causa graves problemas de saúde pública. A falta de informação impacta diretamente os gambás. Por serem confundidos com animais considerados como pragas, são vítimas da caça e de ataques por envenenamento. As quatro espécies de gambás da fauna brasileira são respaldadas pela Lei nº 9.605/98 a favor da proteção da fauna, que pune com multa e/ou reclusão de no mínimo um ano pessoas que maltratam ou causam prejuízo a animais silvestres. GAMBÁ COME COBRA? Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios. Acreditamos que muitas pessoas se surpreenderiam se respondêssemos que “sim” à esta pergunta. Pois saiba que esta é a verdade: gambás comem cobras. E tem mais, eles comem as espécies peçonhentas também. Peçonhentas? Isso quer dizer venenosas? Mais ou menos. Depois voltamos nesse assunto. COBRAS OU SERPENTES: ORIGEM DOS TERMOS Vamos falar um pouco das cobras. Ou seriam serpentes? Bom, no popular, os dois termos estão corretos. Mas se quisermos um pouco mais de rigor, devemos chamar de serpentes. A palavra serpente serve para designar os animais da subordem “serpentes”. As subordens são classificações criadas para separar os animais em grupos. Por exemplo: lagartos e serpentes são répteis que possuem escamas, mas são diferentes entre si. Logo, apesar de fazer parte do grupo dos répteis escamados (ordem dos escamados), suas subordens são diferentes: lagartos pertencem à subordem “Lacertilia”, enquanto as serpentes à subordem “Serpentes”. O termo cobra, muito comum para se referir às serpentes, tornou-se popular no Brasil já no início da colonização pelos portugueses. Eles desembarcaram em terras Tupiniquins e deram de cara com animais sem patas que lembravam muito os animais existentes no continente asiático. Estes animais, na Ásia, eram chamados de cobras, e correspondem às espécies que conhecemos como najas (Naja sp.) e cobra-rei (Ophiophagus hannah). Vale ressaltar que o que difere uma cobra de uma serpente são as costelas nucais (capelo) que as najas e cobras-rei possuem. Coral-verdadeira (Micrurus corallinus). Foto: Thiago Silva-Soares - Herpeto Capixaba. Atualmente existem cerca de 3.800 espécies de serpentes conhecidas no mundo. O Brasil, possuindo uma das maiores biodiversidades do planeta, abriga aproximadamente 11% de toda essa biodiversidade de serpentes (405 espécies). Jararacuçu (Bothrops jararacussu). Foto: Thiago Silva-Soares - Herpeto Capixaba. Destas 405 espécies, aproximadamente 75 são peçonhentas e oferecem risco à saúde pública, sendo, portanto, de interesse médico. Cascavel (Crotalus durissus). Foto: Thiago Silva-Soares - Herpeto Capixaba São elas: todas as espécies da família Viperidae (víboras), como as jararacas (gêneros Bothrops e Bothrocophias), cascavéis (gênero Crotalus) e surucucu (Lachesis muta); e todas da família Elapidae, as corais-verdadeiras (gêneros Micrurus e Leptomicrurus). VENENO OU PEÇONHA Lembra que falamos sobre venenoso e peçonhento? São duas nomenclaturas muitas vezes utilizadas como palavras sinônimas. No popular, mais uma vez, não há nada de errado em sinonimizar estes termos. Cientificamente, são diferentes. Jararaca-da-mata (Bothrops jararaca). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Venenoso é aquele que possui (produz) substâncias tóxicas em seu corpo, porém, não é capaz de injetar essa substância (veneno). Temos como exemplo o sapo, venenoso, pois não pode nos injetar seu veneno. O peçonhento, por sua vez, também produz substâncias tóxicas, porém possui algum mecanismo de injeção dessa substância (peçonha), como no caso das serpentes peçonhentas. Elas injetam peçonha com a ajuda de suas presas (dentes inoculadores). AÇÃO DA PEÇONHA Cada espécie possui uma peçonha com características particulares. As jararacas, por exemplo, possuem toxinas com ações proteolíticas (destruindo proteínas) e hemorrágicas, que podem resultar na inflamação e necrose do membro atingido. Cascavel (Crotalus durissus). Foto: Thiago Silva-Soares - Herpeto Capixaba Já as cascavéis possuem toxinas que afetam o sistema nervoso e renal. Outras ações são o surgimento de coágulos e lesões musculares. As corais possuem peçonha neurotóxica que ataca a visão, causa dores musculares e insuficiência respiratória. A surucucu, por sua vez, possui peçonha com ações similares ao das jararacas: ação proteolítica, hemorrágica e neurotóxica, que podem levar à necrose e amputação do membro afetado. PROBLEMAS PARA O SER HUMANO Segundo o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), em 2017 ocorreram 28.636 acidentes ofídicos no Brasil, dos quais 106 (0,4%) levaram as vítimas ao óbito. A porcentagem bate com a média anual apresentada pelo Ministério da Saúde. A média anual é de 20 mil casos, com cerca de 0,4% de óbitos. Esta média é bem menor do que a média mundial. A Organização Mundial da Saúde estima que ocorram entre 1,8 milhão e 2,7 milhões de acidentes ofídicos, com o número de óbitos variando entre 81 e 138 mil (cerca de 5% dos casos mundiais resultam em morte). Apesar da existência do soro antiofídico e de sua eficácia, outra alternativa seria muito valiosa, visto que o soro que utilizamos possui algumas limitações e desvantagens. No Brasil e outras partes do mundo, utiliza-se soros antiofídicos obtidos a partir de cavalos. Para obtê-los, é extraída a peçonha da serpente e introduzida no organismo de um cavalo, que reage desenvolvendo anticorpos. Dessa forma, os soros produzidos são específicos para o tipo de peçonha da serpente utilizada. Vale ressaltar que o cavalo continua saudável, pois a peçonha é injetada em dose não letal no organismo do mesmo. Além disso, esses soros utilizados podem causar efeitos colaterais nos pacientes, causando desconfortos ou até mesmo problemas mais graves. Sendo assim, estudos sobre o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de acidentes com serpentes tornam-se muito importantes. Apesar dos Gambás possuírem, em seu organismo, substâncias que neutralizam a ação da peçonha, ainda não existem medicamentos feitos com base nestes compostos. RESISTÊNCIA À PEÇONHA POR MARSUPIAIS Pequenos mamíferos mordidos por serpentes geralmente morrem rapidamente de choque cardiovascular induzido por ação sinérgica de muitos componentes diferentes da peçonha. Suricatos (Suricata suricatta). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Diversas espécies já foram descritas como resistentes a peçonhas, outras com certo grau de imunidade. Por exemplo, os suricatos (Suricata suricatta) são resistentes à peçonha de espécies que coabitam a mesma região. No entanto, o que vemos nos gambás vai além disso. Gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Gambás têm predileção em comer serpentes. No passado, indivíduos que possuíam imunidade a peçonha podiam se alimentar delas ou simplesmente não serem predados. Assim, tinham mais chances de sobrevivência e de deixar descendentes. Dessa forma a imunidade a peçonhas se estabeleceu. Qual a melhor forma de inibir uma substância tóxica? Reagindo com uma substância neutralizante: o LTNF (sigla em inglês para Fator Neutralizante de Toxinas Letais), que nada mais é do que um peptídeo, formado por 11 aminoácidos de uma proteína do gambá. Os gambás produzem LTNF que bloqueiam efeitos da peçonha, como hemorragia, edema, danos ao sistema nervoso, lesões musculares, problemas cardiovasculares entre outros. É como mágica, mas é só evolução. Filhote de Cuíca-quatro-olhos (Philander quica) em reabilitação. Foto: João Pedro Zanardo - Instituto Últimos Refúgios Desde de 1976, Jack Kilmon descreve a resistência de gambás para peçonhas. Em 2011, Jansa e Voss, relataram a evolução adaptativa da proteína hemostática direcionada a peçonha, e sugeriram não só o gênero Didelphis (Gambás), mas também as espécies do gênero Lutreolina (Cuíca-de-cauda-grossa) e do gênero Philander (Cuícas-quatro-olhos) como resistentes a peçonhas. Cuíca-d’água (Chironectes minimus). Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios Eles ainda destacam que a espécie Chironectes minimus (Cuíca-d’água) tenha algum grau de imunidade, mas os dados não são conclusivos e necessitam de estudos. APLICAÇÕES NOS SERES HUMANOS Poderiam os Gambás ajudarem os seres humanos na produção de medicamentos contra picada de serpentes peçonhentas? A resposta é sim. Estudos estão sendo feitos para verificar se os LTNF dos Gambás podem ser utilizados no tratamento de pessoas que sofreram acidentes com serpentes. Claire Komives e sua equipe desenvolveram alguns trabalhos para a produção de um antídoto barato e eficiente para a maioria das serpentes do mundo. Primeiro eles utilizaram uma bactéria (Escherichia coli) para produzir uma cadeia longa, composta pelos 11 primeiros aminoácidos da proteína do gambá, repetida várias vezes, e depois usaram uma protease (enzima) para cortar o produto em peptídeos individuais. Depois foram realizados os testes em ratos, que sobreviveram mesmo após receberem uma dose letal de peçonha de cascavel junto com o LTNF. Assim foi comprovada a eficiência do LTNF em outros animais além dos gambás. Os testes também foram realizados com peçonhas de outras serpentes e tiveram resultados positivos. Isso mostra a eficiência da proteína do gambá ser um antídoto universal. Ainda são necessários mais estudos para que o antídoto seja utilizado em seres humanos. Em entrevista a C&EN, Claire Komives afirma que o próximo passo será o teste em animais domésticos, frequentemente atacados por serpentes. IMPORTÂNCIA DOS GAMBÁS Assim como as serpentes, gambás também sofrem perseguição do ser humano. Algumas pessoas comem, outras matam por não gostarem. No entanto, além de terem o direito à vida (como qualquer outro ser vivo), o gambá ainda pode nos ajudar: diretamente, com a possibilidade da utilização da LTNF para inibir a peçonha das serpentes; e indiretamente, promovendo o equilíbrio biológico daquele local, controlando espécies de serpentes e servindo de alimento para outras espécies. Trabalhos como estes mostram não só a importância dos gambás, mas de toda nossa biodiversidade. Podemos encontrar a cura para diversas doenças em plantas e animais. Proteger as florestas é extremamente necessário a vida de todos, incluindo nós, seres humanos. Portanto, não mate! Preserve. Abrace esta causa com a gente! Esta matéria é resultado de uma parceria entre o Projeto Marsupiais e o Herpeto Capixaba. HERPETO CAPIXABA Herpeto Capixaba, projeto fundado em 01 de Outubro 2017 pelo biólogo especializado em herpetologia, Dr. Thiago Silva-Soares, busca trazer o estado da arte da ciência atual relacionada à herpetologia no Estado do Espírito Santo. Através da pesquisa e difusão científica em prol do conhecimento e conservação da herpetofauna, o Herpeto Capixaba vêm preenchendo as lacunas de conhecimento acerca dos anfíbios e répteis capixabas. Além de conhecer a diversidade dos anfíbios e répteis da Mata Atlântica Capixaba, visamos compreender a relação do herpetofauna com as possíveis adversidades à que podem estar submetidos, tais como índices de atropelamento, malformações e seus causadores, exposição a agrotóxicos, parasitismo, presença de agentes patógenos, espécies invasoras, entre outras. PROJETO MARSUPIAIS As ações do projeto visam a permanência das espécies de marsupiais nos ambientes naturais, assim eles poderão contribuir exercendo seu papel ecológico. As ações de conservação dos marsupiais realizadas pelo projeto envolvem principalmente a disseminação de informações e curiosidades sobres essas espécies e com isso é possível sensibilizar a população para a importância dos animais, como os gambás, que por vezes são muito discriminados. O projeto também atua em apoio ao resgate, cuidados, reabilitação e soltura de marsupiais. Com isso, ajuda a manter as populações de gambás e cuícas em ambientes de preservação. As pesquisas do projeto estão em seus anos iniciais, com o objetivo de preencher lacunas acerca do conhecimento sobre as espécies de marsupiais. Ainda há muito o que conhecer sobre a fauna presente nos biomas brasileiros e do mundo. Texto: Iasmin Macedo, bióloga e coordenadora do Projeto Marsupiais; Ana Clara Mardegan, estagiária de jornalismo do Instituto Últimos Refúgios; e Bryan da Cunha Martins, biólogo membro do Herpeto Capixaba. FONTES SUGERIDAS Lipps, B. V. (1999). Anti-lethal Factor From Opossum Serum Is A Potent Antidote For Animal, Plant And Bacterial Toxins. Journal of Venomous Animals and Toxins, 5(1), 56-66. https://doi.org/10.1590/S0104-79301999000100005 Hebbi, V. et al. (2018). Process for production and purification of lethal toxin neutralizing factor (LTNF) from E. coli and its economic analysis. J Chem Technol Biotechnol; 93: 959–967. https://doi.org/10.1002/jctb.5537 Komives, C. F. et al. (2016). Opossum peptide that can neutralize rattlesnake venom is expressed in Escherichia coli. Biotechnology Progress 33(1). https://doi.org/10.1002/btpr.2386 Jansa S.A., Voss R.S. (2011). Adaptive Evolution of the Venom-Targeted vWF Protein in Opossums that Eat Pitvipers. PLoS ONE 6(6): e20997. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0020997 J. A. Kilmon, SR. (1976). High Tolerance To Snake Venom By The Virginia Opossum, Didelphis virginiana. Toxicon, 1976, Vol. 14, pp. 337-340. Pergamon Press. Printed in Great Britain. https://doi.org/10.1016/0041-0101(76)90032-5 Gutierrez J.M., Escalante T., Rucavado A. (2009). Experimental pathophysiology of systemic alterations induced by Bothrops asper snake venom. Toxicon 54: 976–987. DOI: 10.1016/j.toxicon.2009.01.039. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19303034/ Oliveira, M. E., Santori, R. T. (1999). Predatory Behavior of the Opossum Didelphis albiventris on the Pitviper Bothrops jararaca, Studies on Neotropical Fauna and Environment, 34:2, 72-75. http://dx.doi.org/10.1076/snfe.34.2.72.2105 C&en - Chemical & Engineering News https://cen.acs.org/biological-chemistry/biochemistry/opossum-protein-lead-broad-spectrum/96/i23 Costa, H. C; Bérnils, R. S. Répteis do Brasil e suas Unidades Federativas: Lista de espécies. Herpetologia Brasileira. v. 8, n. 1 p. 11-57. 2018. https://www.researchgate.net/publication/324452315_Repteis_do_Brasil_e_suas_Unidades_Federativas_Lista_de_especies Ministério da Saúde. Brasil copatrocinou resolução para o problema dos acidentes ofídicos no mundo. Disponível em: https://www.saude.gov.br/noticias/svs/43413-brasil-copatrocinou-resolucao-para-o-problema-dos-acidentes-ofidicos-no-mundo#:~:text=Anualmente%2C%20no%20mundo%2C%20estima%2D,cegueira%20e%20stress%20p%C3%B3s%2Dtraum%C3%A1tico. > Acesso em: 14 de julho de 2020 Da Cruz, M.; Rangel Soares, I.; Stefane Rocha Marques, D.; Fabiano Carvalho Siqueira, I.; Alberto Schneider, A.; Da Silva Cutruneo Ceschini, M. Intervenção pedagógica: desmistificando os animais peçonhentos e venenosos. anais do salão internacional de ensino, pesquisa e extensão, v. 11, n. 1, 14 fev. 2020 https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87284 Silvestre. Cobra ou serpente: afinal de contas, qual o termo correto? Disponível em: acesso em 14 de julho de 2020 Ministério da Saúde. Acidentes por animais peçonhentos - serpentes. Disponível em: . Acesso em 14 de julho de 2020. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Projeto Marsupiais produz boletim técnico sobre cuidados e reabilitação de filhotes de gambás
O Projeto Marsupiais, a convite da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (ABRAVAS), colaborou na produção de um boletim técnico sobre cuidados, reabilitação e soltura de filhotes de gambá. A edição é mais uma publicação com conteúdo científico e informativo para membros associados da organização. O material escrito por Iasmin Macedo, coordenadora do Projeto Marsupiais, e pelas voluntárias Caroline Reis e Lorena Musiello busca orientar biólogos, veterinários e cuidadores no manejo destes animais. O foco é para filhotes resgatados e/ou entregues aos centros de reabilitação, que precisam de cuidados específicos após óbito parental. Iasmin Macedo, Caroline Reis e Lorena Musiello, respectivamente. A previsão é de que com o ínicio da temporada reprodutiva dos gambás, entre julho e agosto, ocorra um aumento na demanda por resgates. Os procedimentos descritos no boletim podem auxiliar nos primeiros cuidados de animais feridos ou em situação de vulnerabilidade até contato com os órgãos ambientais responsáveis. A ABRAVAS já conta com mais de 40 publicações do boletim técnico. A edição Agosto/2020 produzida pelo Projeto Marsupiais - “Cuidados, Reabilitação e Soltura de Gambás-de-orelha-preta” - está disponível para membros associados da ABRAVAS e para seguidores do projeto pelo LINK. PROBLEMÁTICA Os filhotes de gambá nascem prematuros, após dez dias de gestação, e concluem seu desenvolvimento na bolsa (marsúpio) da mãe. Neste período, são alimentados, protegidos e totalmente dependentes dos cuidados maternos para sobreviver. Filhotes no marsúpio. Foto: Iasmin Macedo Filhotes órfãos - quando encaminhados aos centros de reabilitação - exigem meses de acompanhamento profissional especializado, com alimentação adequada e frequente, até atingirem idade suficiente para serem libertados na natureza. O Projeto Marsupiais atua no resgate e reabilitação de gambás em cooperação com o “Centro de Reabilitação de Animais Silvestres” (CETAS) do IBAMA, no município da Serra/ES. A média é de 250 marsupiais resgatados todos os anos, em sua maioria filhotes. A alta demanda por cuidados justifica a importância de materiais informativos que orientem a população sobre como lidar com animais silvestres no meio urbano. De acordo com servidores do CETAS, a maioria dos animais resgatados surgem por solicitação de moradores quando são encontrados machucados ou acuados, vítimas de ataques de animais domésticos (como cães e gatos), ataques de humanos, atropelamento ou envenenamento. Faça o DOWNLOAD do boletim técnico aqui. ABRAVAS A ABRAVAS é uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter científico-cultural, que reúne médicos veterinários e estudantes interessados em animais selvagens para promover o aprimoramento profissional, o bem-estar animal e a conservação da biodiversidade. Conheça mais sobre a associação em abravas.org.br O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Instituto Últimos Refúgios e IBAMA firmam acordo de Cooperação Técnica
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Últimos Refúgios assinaram seu primeiro Acordo de Cooperação Técnica, que regulariza o apoio do Projeto Marsupiais ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CETAS) do Espírito Santo. A publicação que marca o início da parceria foi feita em 31 de julho de 2020 no Diário Oficial da União. O acordo estabelece o suporte operacional de biólogos, pesquisadores, médicos veterinários, fotógrafos e profissionais de áreas afins ao CETAS para ampliar a rede de cuidados aos animais - prioritariamente marsupiais - apreendidos, resgatados ou entregues voluntariamente ao centro e diminuir a lacuna de conhecimento acerca desses animais por meio de pesquisas. Todas as etapas de trabalho serão desenvolvidas com caráter científico, apresentando os objetivos, métodos, resultados e demais informações aplicadas aos projetos de pesquisa. Além disso, será fomentada a iniciação científica e a formação de novos pesquisadores para as futuras gerações. Com o acordo de cooperação, o Projeto Marsupiais estabelece seu compromisso com o bem estar animal, a ciência e com a divulgação científica de informações confiáveis. Como foco principal, o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa prevê a maximização dos tratamentos de saúde (identificando e avaliando quais zoonoses acometem os marsupiais), a reabilitação de animais resgatados, o registro de dados biológicos e atualização de informações sobre a fauna selvagem do Espírito Santo, a conservação ambiental e proteção da saúde de pessoas e animais, a capacitação profissional da equipe, entre outras. A meta é promover a adaptação dos marsupiais em um ambiente que reproduza seu habitat natural, com tratamentos alimentares e veterinários adequados e análise de características físicas, como peso, sexo, relação entre dieta e desenvolvimento, e informações que auxiliem no aumento da taxa de sobrevivência desses animais durante o processo de reabilitação e, posteriormente, na natureza. A proposta ainda inclui a promoção de eventos, atividades e programas educativos relacionados à conservação da natureza e que abordem, em especial, a fauna dos ecossistemas terrestres do Estado do Espírito Santo. Por fim, o apoio operacional prestará um grande serviço na conscientização e sensibilização ambiental da população por meio da divulgação das atividades mídias destinados ao CETAS na internet. No presente acordo de cooperação não há transferência de recursos orçamentários e financeiros de qualquer natureza entre as instituições. Terá vigência por cinco anos, contando da data da publicação de seu extrato no Diário Oficial da União. Publicação completa do Diário Oficial e Minuta do Acordo de Cooperação, com respectivo Plano de Trabalho. MOTIVAÇÃO O Instituto Últimos Refúgios, e consequentemente o Projeto Marsupiais, visa a conservação da fauna de animais silvestres do Espírito Santo. O trabalho é focado na sensibilização ambiental por meio da difusão científica, educação ambiental, fomento ao turismo e pesquisa científica, visando novas descobertas e no caso deste acordo, diminuindo a falta de conhecimento sobre os marsupiais brasileiros. O CETAS dispõe de um extenso banco de dados sobre os animais recebidos, provando-se fonte de informação valiosa para o desenvolvimento de pesquisas científicas. O trabalho colaborativo objetiva melhorar o desenvolvimento das ações e atividades do centro, tendo em vista o alto investimento de tempo que estes animais demandam. A chegada desses marsupiais tem crescido a cada ano. Em 2017 e 2018, foram recebidos no CETAS/IBAMA/ES 177 e 250 marsupiais, respectivamente. Já em 2019, o total foi de 308 marsupiais. O número corresponde a 10,90% dos 2.825 animais silvestres que chegaram ao CETAS/IBAMA/ES no mesmo ano. Dos marsupiais recebidos em 2019, 305 foram Gambás (Didelphis aurita). A maioria dos animais resgatados são encontrados machucados ou acuados, devido principalmente a ataques de animais domésticos (cães e gatos), maus-tratos por humanos, atropelamentos, envenenamentos ou choques-elétricos. A incidência de marsupiais encaminhados ao CETAS é constante em todos os meses do ano, mas atinge seu auge nos períodos de julho a setembro e novembro a janeiro, período reprodutivo desses animais, quando há aumento no número de filhotes. O intuito é aumentar as taxas de sucesso na reabilitação, priorizando sempre a devolução dos espécimes ao seu habitat natural. CETAS Os Centros de Triagem de Animais Silvestres do Ibama são estruturas responsáveis pelo manejo de fauna silvestre, com a finalidade de prestar serviço de recepção, identificação, marcação, triagem, avaliação, recuperação, reabilitação e designação de animais silvestres provenientes de ações fiscalizatórias, resgates ou entregas voluntárias, podendo também serem utilizadas para subsidiar pesquisas científicas, de ensino e extensão, bem como para a educação ambiental. De acordo com a Constituição Federal, Art. 225, Cap. VI, compete ao Poder Público a responsabilidade de proteger a fauna, vedando as práticas que ponham em risco a sua função ecológica, que provoquem a extinção das espécies ou que as submetam à crueldade. Essa tutela do Estado sobre a fauna silvestre também está definida na Lei no 5.197, de 3 de janeiro de 1967, denominada “Lei de Proteção à Fauna”. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
- Tirinha #2: gambás comem quatro mil carrapatos em uma semana
Em uma iniciativa divertida para integrar sensibilização ambiental e criatividade, o Projeto Marsupiais está produzindo histórias em quadrinhos educativas. A primeira edição divulgou informações sobre a importância ecológica dos gambás, enquanto a segunda apresenta a espécie como grande colaboradora no controle de pragas urbanas. Os gambás alimentam-se de cobras, pequenos insetos, animais peçonhentos e podem comer até quatro mil carrapatos em uma única semana. A habilidade é apenas uma das diversas características que apresentam a importância destes animais para o meio urbano. Acesse a pasta no GOOGLE DRIVE para fazer o download da tirinha e imprimir a versão em preto e branco - para colorir - em português ou inglês. O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE. "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" Também acompanhe o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais.
















