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- Vamos falar um pouco sobre as cutias?
Para quem na infância cantava “corre cutia na casa da tia” nas brincadeiras de roda, sente que esse nome soa familiar. Mas quem é a cutia? Você sabe? As cutias são mamíferos roedores frugívoros do gênero Dasyprocta, elas estão distribuídas em toda a América Neotropical em 11 espécies das quais 9 ocorrem no Brasil. São animais de pequeno porte, pesam em média de 3kg a 6kg e cerca de 49 – 64 cm de comprimento. Esses mamíferos são chamados de forrageadores, que são aquelas espécies que passam maior parte do seu horário de atividade em busca de alimento. No caso da cutia, ela passa parte do dia forrageando à procura de frutas e sementes, e possuem um comportamento muito interessante: elas têm o hábito de carregar as sementes por longas distâncias e enterrá-las no solo como forma de estocar alimento para uso futuro. Devido a esse comportamento, elas desempenham grande importância ecológica como dispersores de sementes, pois contribuem para a manutenção da diversidade de árvores da floresta. É seu olfato apuradíssimo é que auxilia na procura de alimento e na comunicação entre os indivíduos, por meio de secreções deixadas no ambiente. Infelizmente as cutias correm o risco de entrar para a lista de ameaça de extinção por vários fatores. O primeiro deles é perda do habitat causada pela fragmentação da Mata Atlântica, no caso da nossa região, afetando seu hábito de forrageio que demanda grandes áreas florestais, leva a dispersão e isolamento das populações, impedindo o fluxo migratório para outras regiões e ainda facilita a caça, sendo este outro fator, já que sua carne é considerada pelos caçadores de boa qualidade para consumo. * Texto de Jennifer Oliveira, graduanda em Biologia e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. * Foto de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" REFERÊNCIAS WILSON, D. E.; REEDER, D. M. Mammal species of the world: A Taxonomic and Geographic Reference. Johns Hopkins University Press: Baltimore, ed. 3, p. 2142, 2005. REIS, N. R; PERACCHI, A. L.; PEDRO, W. A.; LIMA, I. P. Mamíferos do Brasil. Londrina, N. R. Reis, ed. 2, p. 439, 2011. MULLER-LANDAU, H. C. Predicting the Long-Term Effects of Hunting on Plant Species Composition and Diversity in Tropical Forests. Biotropica. v. 39, p. 372–384, 2007. HOSKEN, F.M.; SILVEIRA, A.C. Criação de cutias. Aprenda fácil. Viçosa, Minas Gerais. v.4, p. 21-22, 2001. PERES, C. A. Effects of subsistence hunting on vertebrate community structure in Amazonian forests. Conservation Biology, v. 14, n. 1, p. 240-253, 2000. PERES, C. A. Synergistic effects of subsistence hunting and habitat fragmentation on Amazonian forest vertebrates. Conservation Biology, v. 15, n. 6, p. 1490-1505, 2001
- Chega ao Fim a Temporada de Baleias Jubarte 2017
Nossos queridos gigantes do mar estão, oficialmente, indo embora. A temporada de baleias jubarte no Brasil acabou neste mês de novembro e, no Espírito Santo, não é mais possível ver as baleias com facilidade. Apenas algumas "atrasadas" ainda estão seguindo seu caminho para a Antártida. O Instituto Baleia Jubarte, que tem sede em diversas cidades da Bahia, já registrou o encerramento da temporada também. Os animais fazem esse trajeto todos os anos, fugindo das águas geladas da Antártida, onde encontram alimento, e vindo em direção ao Espírito Santo e Bahia, para alcançar águas quentes e se reproduzirem. Nós somos abençoados com a visita desses majestosos animais de junho a novembro. A temporada de baleias jubarte no Brasil é um período precioso para que as campanhas ganhem destaque. No Espírito Santo, foram diversas expedições cientificas e turísticas para o alto mar, em busca de ver as baleias, sempre ressaltando a importância de proteger e preservar esses animais.. AAgora, esses gigantes do mar reiniciam a viagem de mais de dois meses para a Antártida, após o período de reprodução por aqui. Todo ano, o vai e vem das baleias resulta em mais pesquisas e informações sobre a vida desses animais. * Texto de Aline Soares Passos - Voluntária do Instituto Últimos Refúgios. * Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Para saber mais sobre o projeto AMIGOS DA JUBARTE, além de saber como ver as baleias capixabas, acesse: www.queroverbaleia.com ou www.amigosdajubarte.com.br * O projeto Amigos da Jubarte é uma realização do Instituto O Canal, com co-realização do Instituto Últimos Refúgios e Instituto Ecomaris, com a parceria Instituto Baleia Jubarte (Projeto Baleia Jubarte), da Vale, Prefeitura de Vitória e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Além de prever ações de caráter educacionais, científicos e culturais, a iniciativa aposta num novo panorama turístico, pautado no desenvolvimento sustentável, fomentando a indústria limpa e servindo principalmente de vetor para a sensibilização ambiental. #amigosdajubarte #baleia #jubarte #baleiajubarte #humpback #whale#vitoria #espiritosanto #cetaceos #mamifero #mammal #oceano #ocean #observacaodebaleia #amores #educaçãoambiental Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- Uma história de galhos tortos e motosserras: a incansável saga das florestas anãs
Sempre quando falamos sobre savana, a primeira imagem que vem à cabeça é da vastidão dos campos africanos, povoados por leões, guinus, rinocerontes e girafas. Mas as savanas ocorrem em várias regiões da Terra, e a mais rica delas está aqui, bem pertinho de nós: o Cerrado! Se você já teve oportunidade de passar por ali, certamente observou as estranhas florestas anãs, ou florestas de cabeça para baixo, como também são chamadas em função das pequenas e tortuosas arvoretas com suas extensas raízes. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ocupando originalmente 25% do território nacional, o que o coloca atrás apenas da Amazônia em extensão territorial. Ele se estende por pelo menos 10 estados brasileiros, do norte do Paraná até o Maranhão, limitado ao sul pelos Pampas, ao norte pela Amazônia, a leste pela Mata Atlântica e pela Caatinga, e ao oeste pelo Pantanal. São cerca de dois milhões de quilômetros quadrados do Brasil central dominados por campos, veredas, matas e savanas típicas que compreendem uma incrível diversidade de ecossistemas e formas de vida. Muita gente não sabe, mas o Cerrado é a savana com a maior biodiversidade do planeta. São conhecidas mais de 13000 espécies de plantas para o bioma, 250 espécies de mamíferos, 850 espécies de aves, 280 espécies de répteis, 200 espécies de anfíbios e 1200 espécies de peixes. Os invertebrados e fungos ainda são pouco conhecidos, mas estimativas apontam para cerca de 100000 espécies em cada um destes grupos. Outro aspecto que faz do Cerrado uma savana única é a alta taxa de endemismos, ou seja, o grande número de espécies que só ocorrem ali. Para ter uma ideia, quase 40% de todas as espécies de plantas e répteis e cerca de 50% dos anfíbios não são encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Pode não parecer, mas logo abaixo da vegetação tortuosa e ressequida se encontra a grande caixa d’água do Brasil. O Cerrado é o lar das nascentes de algumas das mais importantes bacias hidrográficas do Brasil e da América do Sul: a bacia do Amazonas, do São Francisco, do Araguaia-Tocantins, do Parnaíba e do Paraná-Paraguai. Os rios que escoam dos chapadões do Brasil central abastecem parte considerável da população brasileira e alimentam os grandes aquíferos do país - reservatórios naturais de água subterrânea, que absorvem e filtram a água que escoa da superfície, fornecendo água limpa e de excelente qualidade para o uso humano. Essas e outras tantas riquezas naturais presentes no Cerrado propiciaram a ocupação humana na região a pelo menos 13000 anos. Eram grupos de caçadores-coletores que deram origem às mais de 83 etnias indígenas conhecidas atualmente para o bioma, como Xavantes, Tapuias, Carajás, Crahôs, Xerentes e Xacriabás. Os primeiros colonizadores europeus chegaram ao Cerrado em meados do século XVI, mas a grande reviravolta na ocupação do bioma só aconteceu ao longo do século XX, com o incentivo governamental para a expansão da agropecuária e para o estabelecimento de indústrias nos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A preocupação com a proteção das fronteiras nacionais também levou a um estímulo para a colonização do Cerrado: foi a “marcha para o oeste” na sua versão tupiniquim. O maior marco desse processo foi a construção de Brasília, na década de 1950. Mais recentemente, o aumento da demanda por minério de ferro no mercado internacional trouxe uma nova e crescente ameaça para o Cerrado: a mineração. Como resultado de todo o processo de expansão agropecuária, industrial, demográfica e urbana, as pressões sobre o Cerrado brasileiro se multiplicaram a partir da segunda metade do século XX. Estimativas conservadoras mostram que pelo menos 50% da área original do Cerrado já foi perdida pela ação humana, enquanto as mais pessimistas apontam até 80% de perda. A proteção do Cerrado também ocorre de forma desigual ao longo do território. A maior proporção das áreas ainda conservadas se encontra na sua porção norte, nos estados de Piauí, Maranhão e Tocantins, enquanto os estados do sul (São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul) apresentam as menores áreas de cobertura vegetal original. Além de pequenas e isoladas, as áreas protegidas no Cerrado representam uma fração ínfima da extensão territorial que esse bioma originalmente ocupava. Somente 2% do bioma estão legalmente protegidos, e estimativas indicam que pelo menos 20% das espécies endêmicas e ameaçadas permanecem fora dos parques e reservas existentes. Essa delicada balança entre preservação e desenvolvimento econômico fez com que o Cerrado entrasse para a seleta lista dos 25 hotspots mundiais: áreas com excepcional biodiversidade vegetal e que já vivenciaram uma perda considerável do hábitat original. São regiões que têm prioridade máxima para o planejamento de ações de conservação em nível global. Ou, em tese, deveriam ter. Infelizmente, ainda assim o Cerrado permanece secundário nas preocupações ambientais, mais voltadas aos biomas florestais, como a Amazônia e a Mata Atlântica. Enquanto a fauna e a flora do bioma ficam cada vez mais sufocados dentro dos seus últimos refúgios, a segurança hídrica e alimentar do Brasil se vê ameaçada por grandes projetos corporativos que visam o lucro das empresas multinacionais. O futuro da biodiversidade da savana mais rica do planeta e das pessoas que ali vivem está em nossas mãos. É hora de decidir, já, se queremos uma infinitude de campos estéreis ou água, alimentos saudáveis e lazer para as próximas gerações. *Texto e fotos de Augusto Milagres e Gomes, Biólogo e mestre em Ecologia. Conheça mais sobre o trabalho do Augusto no LINK. Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" REFERÊNCIAS Alho, C.J.R. & Martins, E.S. 1995. De Grão em Grão, o Cerrado Perde Espaço. Cerrado – Impactos do Processo de Ocupação. WWF-Brasil, Brasília, DF. Avidos, M.F.D. & Ferreira, L.T. 2000. Frutos dos Cerrados. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento 15: 36-41. Brasil 2012. Lei nº 12.651. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm#art83. Acesso em 10/02/2016. Cavalcanti, R.B. & Joly, C.A. 2002. Biodiversity and Conservation Priorities in the Cerrado Region. In: Oliveira, P.S. & Marquis, R.J. The Cerrados of Brazil: Ecology and Natural History of a Neotropical Savanna. New York. Columbia University Press. Pp. 351-367. Diegues, A.C.; Arruda, R.S.V.; Silva, V.C.F.; Figols, F.A.B. & Andrade, D. 1999. Biodiversidade e Comunidades Tradicionais no Brasil. Ministério do Meio Ambiente. São Paulo, SP. Hoffmann, W. A. & Jackson, R.B. 2000. 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- Ariranha ou lontra?
A ariranha (Pteronura brasiliensis) é um mamífero endêmico da América do Sul. É um animal semiaquático e vivem em regiões úmidas como as margens dos rios, lagos e pântanos, sendo comum nos rios da Amazônia e do Pantanal. Vivem aproximadamente 20 anos. Possuem hábitos diurnos, vivem em bando de até dez indivíduos. Costumam fazer tocas debaixo das raízes das árvores próximas das margens dos rios, para se abrigarem durante a noite. Ariranha Lontra São carnívoros, se alimentam de peixes, crustáceos e moluscos que encontram nos rios, e ainda de pequenos mamíferos e aves aquáticas. Sua mordida é bem forte, facilitando abocanhar e matar suas presas. São ótimos nadadores, até porque é mergulhando que capturam alimento. Mas e a lontra? Muita gente faz confusão com as duas espécies. Mas vamos desfazer essa confusão com suas principais diferenças. A primeira delas é o tamanho, as ariranhas são maiores que as lontras, podem medir até 1,80 metros de comprimento, incluindo a cauda, e pesam cerca de 35 Kg. Já as lontras chegam a medir 1,30 metros, incluindo a cauda, e pesando 25 Kg. Sendo os machos de ambas as espécies sempre maiores que as fêmeas. Outra diferença é que o hábito e o habitat delas são diferentes, a ariranha é diurna e a lontra é mais noturna. As ariranhas são nativas da América do Sul, as lontras podem ser encontras na Europa, nas Américas, na Ásia e na África. As lontras (Lutra lutra) possuem a pelagem um pouco mais clara que das ariranhas e também são ótimas nadadoras. Infelizmente tanto a ariranha quando as lontras sofrem com o risco de extinção, principalmente devido à perda do habitat, ao desmatamento para expansão da urbanização e destruição das matas ciliares. A mineração também é um fator que contribui devido a contaminação de mercúrio nos rios. E ainda, no caso das lontras, a caça para comercialização de sua pele. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o estado de conservação da ariranha está na categoria “em perigo” e o da lontra está na categoria “quase ameaçada”. * Texto de Jennifer Oliveira, graduanda em Biologia e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. * Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" REFERÊNCIAS Duplaix, N. Observation on the ecology and behavior of the giant otter Pteronura brasiliensis in Suriname. Revue Ecologique (Terre Vie) n. 34, p. 495–620, 1980. Carter, S. K. & Rosas, F. C. W. Biology and conservation of the giant otter Pteronura brasiliensis. Mammal. Rev. 27, p. 1–26, 1997. Rosas, F. C. W., da Rocha, C. S., de Mattos, G. E. & Lazzarini, S. M. Body WeightLength Relationships in Giant Otters (Pteronura brasiliensis) (Carnivora, Mustelidae). Braz. Arch. Biol. Technol. n.52, p.587–591, 2009. Farinha, N.J.R. A Lontra. João Azevedo Editor, Viseu. 98p. 2000. Ruiz-Olmo, J. & Palazón, S. The diet of the European Otter (Lutra lutra L., 1758) in Mediterranean Freshwater Habitats. The Journal Of Wildlife Research. n.2, v.2, p.171-181, 1997 Groenendijk, J., Duplaix, N., Marmontel, M., Van Damme, P. & Schenck, C. Pteronura brasiliensis. The IUCN Red List of Threatened Species 2015. Disponível em: . Acesso em 19 Out. 2017. Roos, A., Loy, A., de Silva, P., Hajkova, P. & Zemanová, B. Lutra lutra. The IUCN Red List of Threatened Species. Disponível em: . Acesso em 19 Out. 2017.
- Cinzas no coração da Cerrado
Já considerado pelo ICMBio o maior da história da Unidade de Conservação, o incêndio que atingiu recentemente a Chapada dos Veadeiros destruiu mais de 66 mil hectares de um dos nossos paraísos, equivalente a 28% da área total. Existem suspeitas de que o incêndio que atingiu o Parque Nacional a partir do dia 18 de outubro tenha sido criminoso, pois o fogo teve início em uma área onde o ICMBio não estava atuando e quem o provocou aproveitou a direção do vento para que as chamas se espalhassem rapidamente. É o que afirma o coordenador de prevenção e combate ao fogo do ICMBio, Christian Berlink. As polícias ambiental e civil de Goiás estão investigando relatos de que um dos incendiários utilizou uma motocicleta e galões de combustível para atear fogo em áreas escolhidas por alguém que conhece a região e o comportamento do fogo. O ministro do Meio Ambiente, Marcelo Cruz, disse que solicitou ao Ministério da Justiça o apoio da Polícia Federal, já que o parque é uma Unidade de Conservação da União. As ações também têm o apoio do Ministério da Defesa. Na última sexta feira (27) a chuva chegou e amenizou um pouco da destruição causada pelas chamas. Porém, um raio originou um novo foco de queimada no interior do parque. Segundo o ICMBio, no dia seguinte caiu uma chuva que cobriu 100% da área do parque e após sobrevoar a área as equipes de combate não avistaram mais focos de incêndio. A boa notícia é que agora o incêndio está sob controle, embora ainda seja cedo para afirmar que está extinto. Apesar de estar controlado, o incêndio atingiu uma área extensa e os danos são imensuráveis. Essa é a maior reserva de Cerrado do mundo, importante bioma brasileiro, com 240 mil hectares, é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do país e é aqui, nesta região, que estão 62% das cavernas brasileiras, que ajudam a água da chuva a ir para o lençol freático, que são importantes reservatórios de água doce continentais, aflorando em nascentes e formando rios e bacias hidrográficas. Estima-se que existam mais de 320 mil espécies de animais e 12 mil espécies vegetais, muitas delas endêmicas. Dentre os animais encontrados no bioma do Cerrado, estão o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a seriema e a ema, a arara-canindé e a arara-vermelha, tucanos, gaviões, corujas, mochos, pica-paus, o pombão, o tatu-peba, o tatu-galinha, o tatu-canastra, o tatu-de-rabo-mole, o tamanduá-mirim, o veado campeiro, o cateto, a anta, o cachorro-do-mato, o cachorro-vinagre, o gato mourisco, e muito raramente a onça-parda e a onça-pintada. Já as espécies de plantas típicas do cerrado são o araticum, o coco babaçu, o bacuri, a palmeira buriti, a cagaita, o cajú, cajá e cajuí, o capim-dourado muito usado em artesanato regional, a carnaúba de onde extrai-se a cera, o jatobá, a macaúba, a mangaba, a lobeira, cujas sementes são espalhadas pelas fezes do lobo-guará, o murici, o pequi, a pitomba e o umbu. No Cerrado vivem colônias de abelhas nativas do Brasil, como a jataí e a iraí, que não possuem ferrão e produzem um mel de excelente qualidade, além de contribuir para a polinização da vegetação deste rico e belíssimo ecossistema brasileiro. As imagens que ilustram esta matéria foram registradas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e arredores em fevereiro de 2015 pelo fotógrafo Leonardo Merçon, durante expedição fotográfica. * Texto de Cristina Zampa Sanchez e Aline Soares, voluntárias do Instituto Últimos Refúgios. * Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!" REFERÊNCIAS http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=2642 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931292-incendio-no-parque-nacional-da-chapada-dos-veadeiros-e-controlado.shtml http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=2653
- Big Day Brasil
Neste sábado, dia 28 de outubro, acontece o evento Big Day Brasil, onde os praticantes do birdwatching dedicam o dia todo a procura de novas espécies para registrar, catalogar e publicar as listas das espécies encontradas em plataformas online, como o eBird e o Wikiaves. A ideia é observar o maior número de aves possível dentro de 24 horas e os registros e listagens são muito importantes para contabilizar a biodiversidade, entre outros dados importantes. Mas você sabe de que se trata o birdwatching? O birdwatching, ou observação de aves, é um hobby antigo que reúne pessoas do mundo todo interessadas em observar aves em liberdade. Ele surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos por volta do século 19 e hoje envolve adeptos de todas as idades. Não se trata necessariamente de uma atividade de cunho científico. Ninguém precisa ser especialista em aves para observá-las, basta ter vontade e disposição. Praças, áreas rurais e litorâneas, parques urbanos e unidades de conservação são lugares perfeitos para a prática. Você pode sair a procura de aves até mesmo no seu bairro. Também não é necessário muitos equipamentos, mas estar munido de um binóculo, máquina fotográfica e um guia ajuda bastante quem quer levar a prática mais a sério. A atividade traz muitos benefícios a seus praticantes, bem como ao meio ambiente. Quem se apaixona mesmo pela prática acaba desenvolvendo mais empatia pelas aves e pelas causas ambientais, pois ambientes bem preservados contribuem para o avistamento de uma maior diversidade de espécies e o encontro de aves bastante interessantes e muitas vezes raras. Aprender a admirar a beleza das aves aproxima as pessoas do contato com a natureza, proporciona bem estar, alivia o estresse da rotina diária no ambiente urbano, traz paz de espírito e pode até mesmo melhorar quadros de depressão e ansiedade, pois também permite interação social. Faz bem para o corpo, para a alma e a mente. Para participar do Big Day Brasil não é necessário buscar uma espécie rara em um ambiente de difícil acesso e qualquer um pode participar. O site do Instituto Últimos Refúgios oferece o Guia Online de Observação de Aves, que indica bons locais para a prática para quem é iniciante ou veterano. Nele estão disponíveis informações sobre como chegar aos locais, rotas, hospedagem, características do local, pontos de observação, localização das unidades de conservação no mapa do Estado do Espírito Santo, espécies encontradas no local, guias experientes, entre outras. Consulte nosso guia e participe do evento! Com isso, você ajudará a fomentar a observação de aves no Espírito Santo e contribuirá para disseminar essa atividade tão prazerosa. * Texto de Cristina Zampa Sanchez, bióloga e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. * Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- A Força da Natureza.
Basta nos envolvermos intensamente com a Natureza para um impulso involuntário dizer onde, quando e como fazer! A este impulso damos o nome de instinto, que pode ser qualificado como selvagem, fazendo nos sentir parte daquele habitat, como se há muito tempo vivêssemos por lá. A expressão facial muda, aflora a força bruta, desperta o prazer pela descoberta, seguimos freneticamente uma meta que desperta o instinto de sobrevivência. Mas “sobre a vivência” é preciso dizer que há aptidão para defender a fauna e a flora, pensando crer que o fato de conhecer ajuda a proteger. Encontrando uma maneira de amenizar a dificuldade daqueles que não sabem falar e vivem a se refugiar pelas florestas, assustados, escondidos no meio do mato. Preservar é construir com “braços de aço” algo que evite a extinção, que não extingue apenas uma espécie, mas também a origem do homem em seu processo de evolução. Toda colaboração é fundamental para a preservação, uma ideia diferente pode mudar a atitude de muita gente. Então, chega um pessoal camuflado e equipado, posicionam suas câmeras e nenhum animal se acanha, pois reconhecem a equipe do “Últimos Refúgios” que está sempre em Sooretama. A Diretora Audiovisual do Instituto Últimos Refúgios, Ilka Westermeyer, coloca a mão na massa (na enchada), para ajudar a instalar uma das armadilhas fotográficas que instalamos em Sooretama. Foto: Herone Fernandes A foto acima foi feita pelo fotógrafo Hernane Fernandes, durante a última expedição para o livro “Último Refúgios: Reserva Biológica de Sooretama”, que está disponível em nossa loja online: http://www.ultimosrefugios.org.br/loja Adquirindo o seu, você contribui com a manutenção dos projetos do Instituto em prol da causa ambiental. 100% do dinheiro arrecadado será revertido para este fim. Conheça, apoie, preserve, desperte esta força em você! A Natureza agradece e o nosso Propósito se Fortalece! * Texto de Fernanda Miller, escritora e voluntária do Últimos Refúgios. * Fotos de Herone Fernandes, fotógrafo e voluntário do Instituto Últimos Refúgios. Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- Jacaré-do-papo-amarelo - Um olharzinho curioso sob o luar.
Os jacarés são animais muito importantes para os ecossistemas, pois fazem o controle biológico de outras espécies de animais, alimentando-se dos animais mais velhos e fracos que não conseguem escapar de seu ataque. Além disso, suas fezes servem de alimento a peixes e outros seres vivos aquáticos. Fazer o quê, tem gosto para tudo, até para cocô. Atualmente, os jacarés-de-papo-amarelo, Caiman latirostris, sofrem com a destruição de seu habitat e a poluição dos rios e estão ameaçados de extinção. As pressões que os centros rurais e urbanos promovem nos ecossistemas fazem com que os jacarés tenham que atravessar rodovias e avenidas para migrar de uma lagoa a outra, o que resulta muitas vezes no encontro entre o animal e as pessoas, causando estresse em ambos e podendo resultar em danos físicos ao animal, já que ele não tem o costume de atacar deliberadamente os seres humanos. E falando em ameaças à preservação desta espécie, nada de sair por aí caçando jacaré pra comer, viu. Primeiro porque é considerado um crime ambiental. Segundo, porque a caça diminui a população, resultando em perda de variabilidade genética e ameaça de extinção. E terceiro, por colocar em risco a saúde pública, já que o animal, quando caçado clandestinamente para consumo, não passa por nenhuma inspeção sanitária – lembre-se de como nossos rios e lagos estão poluídos por esgoto doméstico e por resíduos industriais e agrícolas. Isso acaba expondo quem consome a carne, pois ela pode estar contaminada por bactérias que causam doenças à população humana. Por isso, iniciativas como o Projeto Caiman – Jacarés da Mata Atlântica, desenvolvido pelo veterinário Yhuri Nóbrega do Instituto Marcos Daniel, são tão importantes para gerar conhecimento e promover a conservação destes animais fascinantes. Texto de Cristina Zampa Sanchez, bióloga e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. Fotos de Leornado Merçon, fotógrafo de natureza e conservação, voluntário do Instituto Últimos Refúgios (Instagram - @leonardomercon). Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- As Aves e a formação em “V”
As aves são grandes exemplos de envolvimento, sincronização, respeito e cooperação. Hoje, vamos falar sobre uma inteligente estratégia de migração, capaz de facilitar sua locomoção. Pesquisas sobre a formação em “V”, indicam que esta prática tem por objetivo amenizar a turbulência em voo. É como se as aves fizessem uma coreografia durante todo o percurso, cada qual com sua ilustre participação, observando o comportamento das outras, a fim de sincronizarem seus movimentos. Tudo é calculado milimétricamente, desde a posição até a sincronia das batidas das asas, a fim de viajar um grande percurso poupando energia. A liderança é revezada para que não haja um grande desgaste de quem comanda. Os pássaros que estão atrás, aproveitam as correntes de ar dos que estão à sua frente. É um trabalho funcional e admirável! A formação em “V”, nos faz perceber que o trabalho em equipe poupa energia e garante segurança. Mostra também a importância de boa liderança com rotatividade, aproveitando diferentes capacidades, idades, experiências e competências. Inspirar-se no comportamento da natureza é um meio de sobrevivência, pois o instinto animal sabe o que é ideal para o nosso progresso. Na foto acima, observamos um bando de Cabeça-seca (Mycteria americana), ave bastante encontrada no Pantanal, onde foi feito esse registro pelo fotógrafo Leonardo Merçon, idealizador do Instituto Últimos Refúgios que conta com o apoio de voluntários e profissionais da área, para trazer informações relevantes sobre a fauna e a flora, a fim de que possamos conhecer para proteger. E para a realização deste lindo trabalho, a equipe também pratica e se inspira na formação em “V”. Como na foto abaixo, é possível perceber! Texto de Fernanda Miller, escritora e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. Fotos de Leornado Merçon / Instituto Últimos Refúgios. Acompanhe também o Instituto Últimos Refúgios nas mídias sociais. Facebook - www.facebook.com/ultimosrefugios Youtube - www.youtube.com/ultimosrefugios O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE "Inspirando pessoas, promovemos mudanças!"
- Inofensivo? Desde que eu não seja ameaçado!
O inofensivo tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) também conhecido como tamaduá-de-colete, ocorre em todos os biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa). Como um de seus nomes sugere, sua pelagem escura, na parte das costas, faz parecer que ele usa colete preto. São animais solitários, arborícolas e de hábitos tanto diurnos quanto noturnos. Se alimentam principalmente de formigas e cupins, usando suas fortes e poderosas garras para abrir buraco no cupinzeiro, e como não possuem dentes, usam sua língua comprida e pegajosa para capturá-los. Também atacam ninhos de abelhas para comer mel. Mas peraí, inofensivo? Bom, nem sempre. Quando ele se sente ameaçado, sua defesa é assumir uma postura ereta, ficando apoiado em suas patas traseiras e sua cauda, deixando as garras dianteiras, fortes e poderosas, prontas para combate. Dizem por aí que sua postura de defesa é o “abraço do tamanduá”. Acho que ninguém está afim de receber esse abraço com poder de rasgo né? Pena que essa defesa não é o bastante para deixar de se preocupar com sua sobrevivência, pois muitos são vítimas de atropelamento, caça para consumo e utilização de seu couro para fabricação de produtos, ataque por cães domésticos, venda como animais de estimação, perda do habitat e incêndios florestais. Apesar disso a espécie está listada como preocupação menor pela IUCN. Texto de Jennifer Oliveira, graduanda em Biologia e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. Fotos de Leonardo Merçon \ Instituto Últimos Refúgios. REFERÊNCIAS FONSECA, G. A. B.; HERRMANN, G.; LEITE, Y. L. R.; MITTERMEIER, R. A.; RYLANDS, A. B.; PATTON, J. L. Lista anotada dos mamíferos do Brasil. Occasional Papers in Conservation Biology. n. 4. Belo Horizonte: Conservation Internacional; Fundação Biodiversitas, 1996, 38 p. Smith, P. Handbook of Mammals of Paraguay – Tamandua tetradactyla. Fauna of Paraguay. Vol. 2, 2007. Hayssen, V. Tamandua tetradactyla (Pilosa:Myrmecophagidae). Mammalian Species. vol. 43, n. 1, ed. 875, p. 64-74, 2011. NOWAK, R. M. Walker's Mammals of the World. v. 1. 6. ed. Baltimore and London: The Johns Hopkins University Press, 1999, 836 p.
- As incríveis formigas nômades
Já pensou em mudar de casa a cada 20 dias levando mais de mil familiares com você? Isso faz parte da biologia das formigas legionárias, ou formigas de correição. Esses insetos são considerados nômades e movimentam-se com frequência mudando toda a colônia de localidade e no caminho alimentando-se de pequenos invertebrados como aranhas, gafanhotos ou grilos mas também de vertebrados muitos maiores do que elas, como sapos e lagartos. O termo “formiga de correição” refere-se a mais de 200 espécies de formigas que apresentam o comportamento nômade. A espécie mais estudada deste grupo é a Eciton burchellii, registrada nessas fotos pelo fotógrafo e idealizador do Instituto Últimos Refúgios, Leonardo Merçon. Com tamanhos impressionantes para formigas e mandíbulas longas e pontudas, as formigas dessa espécie possuem uma força impressionante, principalmente quando caçam em grupo, podendo dilacerar presas muitos maiores do que elas em apenas segundos. Cada formiga é capaz de cortar e carregar presas que pesam mais do que seu próprio corpo e, além disso, estudo mostra que existe cooperação entre formigas próximas na hora de carregar grandes pedaços de presa, de forma que um grupo de formigas juntas é capaz de suportar pesos muitos maiores do que a soma do que cada uma das formigas é capaz de carregar sozinha. Nesse caso, a união faz a força e viver e ninhos contendo um grande número de formigas conseguem captar grande quantidade de alimento para seus integrantes. Um ninho de formigas legionárias é formado principalmente pelo próprio corpo de formigas operárias, que se aglomeram em um grande globo, mantendo sempre a rainha na posição mais protegida no ninho: o centro. Quando chega a hora de mudar de local, esses grandes grupos movimentam-se em filas de até 200 m contendo várias formigas que se guiam apenas pelo cheiro de substâncias chamadas feromônios, que são liberadas ao longo de todo o caminho por onde uma formiga passa, de forma que a formiga de trás, que percebe esses feromônios com suas antenas, possa seguir exatamente o mesmo caminho, e assim sucessivamente. Como você já deve imaginar, milhares e milhares de formigas andando em fila no chão da floresta não é algo que passa despercebido pelos animais da floresta. Vários insetos e outros pequenos animais se movimentam para fugir dessa grande marcha de formigas, o que é um prato cheio para quem se alimenta dessas pequenas presas, como alguns pássaros, lagartos, sapos e outros animais que já foram registrados acompanhando as formigas legionárias para se alimentar dessa grande fuga causada pela correição. Um estudo publicado em 2011 mostrou que mais de 500 espécies podem, em momentos distintos, estar associadas às correições de Eciton burchellii e que aproximadamente 300 dessas espécies dependem dessa associação, evidenciando o papel fundamental que essas formigas nômades possuem para manter a diversidade de animais dos locais onde ocorre! Texto de Lissa D. Franzini, Bióloga CRBio 98000/01-D Mestranda - Laboratório de Herpetologia Universidade Federal da Paraíba Fotos de Leonardo Merçon \ Instituto Últimos Refúgios. Referências: - Rettenmeyer, C. W., Rettenmeyer, M. E., Joseph, J & Berghoff, S. M. 2011. The largest animal association centered on one species: the army ant Eciton burchellii and its more than 300 associates. Insectes sociaux. 58: 282-292. - Franks, N. R. 1985. Teams in social insects: group retrieval of prey by army ants (Eciton burchellii, Hymenoptera: Formicidae). Behavioral Ecology and Sociobiology. 18 (6): 425-429. - Hölldobler, B. and Wilson, E. O. 1990. The Ants. Cambridge, Mass. Harvard University Press. 746 pp.
- Jacaré-do-pantanal, o que olha de banda.
"Não me olha de banda que eu não sou quitanda". A popular expressão mineira tem correspondência no termo de origem tupi-guarani “îakaré”, que significa “o que olha de banda”. A expressão cai bem para descrever o olhar do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare). É um animal robusto que pode chegar a três metros de comprimento, mas inofensivo à espécie humana. Sua aparência assustadora mete medo em muita gente, que associa os jacarés aos imensos crocodilos que habitam o imaginário popular por cauda das histórias da Cuca de Monteiro Lobato, o Capitão Gancho e dos filmes de Indiana Jones. Afinal, a expressão “Cuidado com a Cuca que a Cuca te pega” já assustou muita criancinha por aí, não é mesmo? E o tic-tac insidioso na barriga do crocodilo que perseguia o Capitão Gancho a fim de terminar sua refeição? Assustador! Mas não se esqueçam, jacarés e crocodilos, apesar de serem répteis da ordem dos Crocodilianos, pertencem a famílias bem diferentes. Os jacarés são bem mais pacíficos e raramente atacam as pessoas. Sorte nossa! Os chineses acreditam que o jacaré é um ser mágico, criador do canto e do tambor e que tem poderes sobre as águas e a terra. Possuiria o poder de harmonizar o mundo. Entre os antigos astecas o mundo teria nascido de um jacaré que vivia em águas primordiais. Porém, na mitologia egípcia o jacaré está associado à morte. Em outras culturas ele representa fecundidade, pois curiosamente, os jacarés ficam mais férteis à medida que envelhecem. Não há dúvida de que são animais fascinantes e que precisam ser preservados, pois são importantíssimos ao equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Texto de Cristina Zampa Sanchez, bióloga e voluntária do Instituto Últimos Refúgios. * Fotos do Jacaré-do-pantanal realizadas em expedição cientifica realizada pelo com o Projeto Caiman - Jacarés da Mata Atlântica.
















