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  • A Vida, a lagartixa e a aranha.

    ​ ​Em 2011, fui convidado pelo renomado fotógrafo Sebastião Salgado, para fotografar a biodiversidade do Instituto Terra, localizado em Aimorés, Minas Gerais. Durante 1 ano de trabalho, exploramos a região em busca da fauna e flora que havia retornado devido ao reflorestamento promovido pelo projeto, que transformou pasto em floresta em poucos anos. Andando por uma das trilhas da fazenda sede do Instituto, me deparei com um filhotinho de lagartixa bonitinho, todo rajado. Chamei minha esposa, Ilka Westermeyer, que estava me ajudando como assistente e pedi para me trazer a lente macro e os flashes. Aquela criaturinha poderia render fotos bem interessantes. O pequeno réptil permanecia imóvel no chão. Enquanto esperava, fiz um movimento já procurando o melhor ângulo para fotografá-la. A lagartixa correu para o lado errado e rapidamente uma pequena aranha, que estava camuflada 1 metro para o lado, cravou suas as presas na pobrezinha que fugia de mim. Pensei em ajudá-la, mas já estava ferida. Ela morreria pelos ferimentos de qualquer forma, e ainda, a aranha continuaria com fome. Me senti mal pois, por minha culpa, ela correu em direção à aranha. A Ilka chegou e falou: “Pobrezinha... um bebê de lagartixa tão novinho. É uma morte täo horrível.” Falei que nao tinha mais jeito e que não deveríamos interferir, explicando o motivo. Enquanto já fazia a foto que ilustra este texto, olhei novamente para a ilka e ela segurava os flashes olhando para o outro lado e com o rosto molhado pelas lágrimas... é a tal da “empatia”, que pessoas sensíveis e que amam a natureza sentem. É algo profundo e inexplicável. Empatia, da forma que eu entendo, significa a capacidade de sentir o que um outro ser vivo sente. De se colocar no lugar dele. Uma característica tão rara hoje em dia, que me surpreendo com cada pessoa capaz de senti-la. É um termo muito utilizado para relações interpessoais, porém, também pode ser aplicado ao que sentimos por outros animais. Acredito que com o passar dos anos, minha empatia tem aumentado de forma gradativa. Quanto mais conheço a natureza, mais me apaixono. E consequentemente, mais me importo com ela. Por muitas vezes me pego sentindo o sofrimento de animais que fotografo em tragédias ou problemas causados pelo “progresso”. Uma característica que na sociedade em que vivemos, considero um defeito, no sentido de que sempre me machuco muito emocionalmente falando. Porém, algo muito necessário a ser desenvolvido nas pessoas, caso queiramos conseguir sobreviver como sociedade e como espécie. Tratando outros seres vivos bem, estaremos criando um mundo melhor para nós mesmos. Ao final, voltando a falar da pequena lagartixa, terminei de fazer as fotos, quando ela já não mais respirava. Voltamos para o alojamento, calados, refletindo sobre aquele pequeno acontecimento. Sobre a fragilidade da vida. Sobre uma situação que é o reflexo do mundo em que vivemos. Um mundo com paisagens e seres maravilhosos, porém, por muitas vezes, cruel. OBS.: O resultado do trabalho que fiz no Instituto Terra pode ser conferido no LINK.

  • Eles não precisam de mais uma ameaça!

    ​Como fotógrafo de natureza e conservação, meu objetivo com as imagens que faço é de que elas tenham um efeito positivo. De preferência fomentando a empatia para com a natureza. Partindo do pressuposto de que fotógrafos focados na conservação como eu, produzem e divulgam suas fotografias para tentar proteger a biodiversidade pela qual somos tão apaixonados, por vezes somos frustrados pelo fato de que apesar de belas, muitas delas não conseguem o apelo necessário ou causar um impacto que gostaríamos que tivessem. Porém algumas fotos acabam nos surpreendendo, atingindo um grande número de pessoas, assim, cumprindo o papel para o qual elas foram criadas. Apesar de sempre preferir registrar a beleza do mundo natural, muitas das fotografias que fiz e que atingiram esse patamar são de tragédias. Assuntos tristes nos quais normalmente as fotografias mostram explicitamente esses temas ruins, como o que aconteceu com o Rio Doce, mostrando os peixes mortos ou, como em outro exemplo, o atropelamento de animais silvestres, com fotos de vidas perdidas nas rodovias. Entretanto, em alguns casos, existem fotografias belas, que são utilizadas para defender causas nobres. Um exemplo disso foi a cena que captei, mostrando um grupo de bugios (Alouatta guariba) em Pedra Azul no Espírito Santo. Havíamos iniciado o percurso de estrada de chão voltando da casa de um amigo, logo após o nascer do sol. Era uma manhã fria com a neblina característica da região nessa hora do dia. Como sempre faço, prestava atenção nas árvores abaixo dos barrancos pelos quais passávamos, em busca de vida selvagens. Uma mania que adquiri nas milhares de horas em campo em busca dos assuntos para fotografar. Passando por uma alta Embaúba (árvore bem característica da Mata Atlântica), percebi alguma coisa diferente. Com o carro em movimento, as pequenas "bolinhas" peludas de cor marrom, no vão principal da Embaúba, me chamaram a atenção. Se tratava de uma família de macacos bugio , também chamados de barbados. Quando parei para fotografar a cena, um desses macacos, que estavam dormindo todos encolhidos e juntos pra se proteger do frio, levantou a cabeça me direcionou um olhar bem profundo. Aquele olhar me comoveu. Na hora, senti que aquela foto um dia serviria para uma causa maior. Fui para casa editei a foto e guardei para utilizá-la no momento certo. Com as histórias veiculadas pela mídia sobre a tragédia da morte de centenas de macacos devido ao surto de Febre Amarela e o drama da vacinação da população, para piorar a história um novo cenário se formou, no qual, pessoas com pouco acesso à informação e com medo da doença, começaram a matar primatas indiscriminadamente, deixando as populações desses animais ainda mais vulneráveis. Foi nesse contexto que tive contato com as ações dos amigos pesquisadores do “Projeto Muriqui - ES” divulgando informações sobre o caso e fazendo campanhas sobre os macacos não serem culpados pela transmissão da doença. Então, através do Instituto Últimos refúgios resolvi ajudar a alertar as pessoas sobre o fato de que os macacos não transmitem a doença. Os macacos contraem o vírus dos mosquitos, assim como os humanos. Para os macacos terem a doença os mosquito já tem que estar contaminados para transmitirem. Levando a conclusão de que a ação de exterminar os primatas é não só um perigo ao equilíbrio ambiental das florestas, mas também inútil para o combate a Febre Amarela. Assim, criamos a campanha com a mensagem de que os macacos não transmitem a febre amarela e que eles são tão vítimas quanto nós e nossas famílias. Para ilustrar a arte da campanha, utilizamos a fotografia dos bugios que disse acima. Até o momento em que escrevo este texto, a campanha teve uma ótima repercussão nas mídias sociais, atingindo mais de meio milhão de pessoas, com quase 10 mil compartilhamentos. Eu particularmente, considero que essa é uma foto que cumpriu o objetivo para o qual ela foi criada. Já sentia, desde do momento do click do olho no olho com aquele Bugio, que a foto serviria para um propósito maior. Espero que com a campanha tenha, mesmo que um pouquinho, feito a diferença na vida de alguns bugios e evitando que pessoas façam mal a esses macacos que já estão sofrendo tanto com a febre amarela. Eles não precisam de mais uma ameaça! LINK do post em questão.

  • Fauna ameaçada de extinção!

    A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas, também conhecida como Lista Vermelha da IUCN ou, em inglês, IUCN Red List, constitui um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação mundial de várias espécie de plantas, animais, fungos e protistas. A Lista Vermelha obedece a critérios precisos, para avaliar os riscos de extinção de milhares das espécies e subespécies, pertinentes a todas as espécies e em todas as regiões do mundo, com o objetivo de informar sobre a urgência das medidas de conservação para o público e legisladores, assim como ajuda a comunidade internacional na tentativa de reduzir as extinções. Vulnerável (VU): considerada como estando a sofrer um risco elevado de extinção na natureza. Em perigo (EN): considerada como estando a sofrer um risco muito elevado de extinção na natureza. Em perigo crítico (CR): considerada como estando a sofrer um risco extremamente elevado de extinção na natureza. As principais ameaças à conservação das espécies são a perda de habitat, a caça e a competição com gado (García et al., 2012; Medici et al., 2012; Naveda et al., 2008). No entanto, nos últimos anos, uma ameaça que tem chamado a atenção são os atropelamentos de indivíduos em rodovias (Medici et al., 2012). No Espírito Santo, restam poucos refúgios para animais representativos da fauna da MAta Atlântica. A Reserva Biológica de Sooretama, uma unidade de conservação federal e o seu entorno, composto pela Reserva Natural Vale, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Recanto das Antas e a RPPN Mutum-Preto. Estas áreas somam aproximadamente 53 mil ha de floresta contínua, consistindo em um dos 77 fragmentos florestais que possuem mais de 10.000 ha em toda Mata Atlântica (Ribeiro et al., 2009). Porém, esse resquício de Mata Atlântica sofre pressões diárias, comprometendo seu papel de ser um reservatório biológico único no Espírito Santo. Espécies de bandeira globalmente ameaçadas que habitam a ReBio Sooretama: Anta - Lowland Tapir (Tapirus terrestris) - IUCN Status: Vulnerável (VU) Mutum-do-Sudeste - Red-billed Curassow (Crax blumenbachii) - IUCN Status: Em perigo (EN) Tatu-canastra - Giant Armadillo (Priodontes maximus) - IUCN Status: Vulnerável (VU) Jacu-estalo - Rufous-vented Ground-cuckoo (Neomorphus geoffroyi) - IUCN Status: Vulnerável (VU) Queixada - White-lipped peccary (Tayassu pecari) - IUCN Status:Vulnerável (VU) Harpia - (Harpia harpyja) - IUCN Status: Quase ameaçada (NT) Macaco prego de crista - (Sapajus robustus) - IUCN Status: Em perigo (EN) Sabiá-Piementa - Black-headed Berryeater (Carpornis melanocephalus) - IUCN Status: Vulnerável (VU) Jaó-do-sul - (Crypturellus noctivagus) - IUCN Status: Quase ameaçada (NT) ANTA: Tapirus Terrestris é o maior mamífero terrestre do Brasil e o segundo da América do Sul e constitui-se em um importante dispersor de sementes, engolindo-as e depois liberando elas pelas fezes. A anta é listada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). No Brasil, a espécie não figura na lista nacional, entretanto, a espécia consta na lista estadual do Espírito Santo como “em perigo”. As ameaças à sobrevivência da anta são a caça, a alteração e degradação do habitat, atropelamentos, doenças advindas de animais domésticos e até envenenamento. MUTUM DO SUDESTE: Espécie endêmica do bioma Mata Atlântica, habita matas primárias em regiões quentes e úmidas. É restrito a pequenas áreas do sul da Bahia até o norte do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Atuam como grandes dispersores de sementes. Estão em extinção devido à caça e principalmente à destruição de seu habitat. Atualmente, são consideradas globalmente em perigo pelo Bird Life e IUNC. TATU CANASTRA: A espécie, apesar de possuir ampla diversidade geográfica, é bem raro em toda a sua área de ocorrência. O tatu-canastra é classificado como um engenheiro ecológico (Desbiez e Kluyber, 2013), cuja presença ou atividade altera a estrutura física do ambiente ao seu redor ou o fluxo de recursos, desta forma, cria ou modifica diferentes hábitats, influenciando a disponibilidade de recursos e todas as espécies a eles relacionadas. No Brasil, é classificada como “Criticamente em perigo” em diversos estados, inclusive no ES. Estão vulneráveis à extinção devido à caça para obtenção de carne e pelo desmatamento do seu habitat. JACU-ESTALO: Ocorre na região Amazônica, no sul da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e também ao norte do Rio de Janeiro. Inspeciona montes de galhos secos, buracos de tatus e cupinzeiros terrestres ocos, em busca de alimento. O táxon endêmico da Mata Atlântica é considerado ameaçado devido à sua raridade. QUEIXADA: Alimenta-se de frutas, sementes, brotos, raizes e folhas, e também de pequenos invertebrados e presas como sapos, lagartos e filhotes de aves. Possui ampla distribuição geográfica mas dado ser uma espécie que exige amplos territórios e é muito sensível à caça, provavelmente já está extinta em alguns locais. HARPIA: Espécie rara por possuir um crescimento populacional muito lento. Habita florestas primárias densas e florestas de galeria. Tem um crescimento populacional muito lento. A destruição de grandes áreas florestais e à caça indiscriminada, torna a espécie ameaçada de extinção no nosso país, uma vez que a espécie precisa de grandes áreas preservadas para sobreviver e só entrelaça o ninho nas árvores mais ascendentes. Para resguardá-la, não resta outro caminho que não a conscientização. MACACO PREGO DE CRISTA: Sapajus robustus é uma espécie de macaco prego endêmica do Brasil que habita florestas tropicais úmidas e secas da Mata Atlântica, assim como as áreas de Cerrado e a Caatinga. A espécie é ameaçada principalmente por conta do alto grau de destruição do habitat. Possui cerca de 3000 indivíduos na Reserva Biológica de Sooretama. SABIÁ-PIMENTA: Espécie endêmica da Mata Atlântica brasileira. Se alimenta de frutas e já foi observado regurgitando as sementes (dispersor). A espécie é considerada sedentária por, frequentemente, ser encontrada sozinha, seleciona certos locais para cantar. JAÓ-DO-SUL: Habita a Mata Atlântica costeira do Sudeste ao Sul do Brasil. Sua distribuição abrange os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Alimenta-se principalmente de sementes, pequenos frutos e também de plantas. Essas são apenas algumas das MUITAS espécies ameaçadas, que sofrem com a perda de seu habitat e as perseguições constantes da caça e atropelamentos. Um Workshop realizado em abril de 2004 em Vitória concluiu que no Estado do Espírito Santo existem 197 espécies de animais ameaçadas de extinção e 11 foram consideradas regionalmente extintas, ou seja, não ocorrem mais naturalmente neste estado. O número de espécies consideradas “Criticamente em Perigo” foi 66, “Em Perigo” foi 36 e “Vulnerável” foi 95. Apesar de quase metade das espécies listadas estarem enquadradas na categoria de menor risco entre as ameaçadas, isto não quer dizer que não devemos nos preocupar com a situação delas. O risco de extinção de tais espécies pode se tornar muito alto se os atores de ameaça persistirem. O grupo de aves é o grupo que apresenta o maior número de espécies ameaçadas ou regionalmente extintas, com 85 espécies (41%), seguido de mamíferos, com 32 espécies (15%), peixes com 29 espécies (14%), invertebrados terrestres, com 23 espécies (11%), invertebrados aquáticos, com 19 espécies (9%), e anfíbios e répteis com 10 espécies cada (5% cada). A cada dia que passa perdemos mais espécies. Quando entenderemos que não conseguimos viver sozinhos no planeta?

  • Eu, as aranhas-saltadoras e o universo!

    Durante os dias em que estive fotografando em Itaúnas, no Espírito Santo, pensei em uma frase: "Como indivíduos somos fantásticos, como sociedade, inconsequentemente irracionais!". Reflexões como esta me vêem quando estou longe da bolha da normalidade, em pequenas experiências que poderiam passar totalmente despercebidas. Voltando para casa ao final do projeto, meu carro parou por problemas mecânicos, no meio do nada, em uma estrada cercada por uma plantação de eucalipto. Tive que esperar o guincho. Sentei à beira da estrada, em cima do cantil de água e fiquei em silêncio, analisando a vegetação ao redor. Tudo parecia deserto e sem vida. Uma característica comum das monoculturas. Passados 20 minutos, inesperadamente, a vida começou a se mostrar. Parece que os pássaros e insetos menos impactados por ambientes antropizados, haviam se escondido de mim. Ou, não os estava percebendo antes, enquanto dirigia com a cabeça perdida nos problemas de vida cotidiana. Fiquei observando aquilo tudo. Um universo limitado de vida que, mesmo sendo um fotógrafo de natureza, raramente parei para observar despretensiosamente e sem câmeras em mãos, por tanto tempo. Então, foquei minha atenção em uma moita próxima. Eu lá, sentado observando os detalhes por mais de uma hora. Em certo momento, vi em uma folha uma pequena aranha-saltadeira, daquelas cabeçudas, com os olhos grandes. Vindo da direção oposta, uma outra aranhazinha da mesma espécie aproximou-se. Quando as duas perceberam a presença uma da outra, começaram uma disputa pela pequena folha. A moita parecia imensa em relação às duas. Fiquei lá, observando isso por uns 5 minutos, até que uma das aranhazinhas foi subjugada e fugiu com um grande salto. Parei, olhei ao redor, e pensei: "Com uma floresta gigante dessas (mesmo sendo de eucaliptos) ao seu dispor, essas aranhazinhas “estúpidas” ficam lutando por uma moita minúscula!". Refleti novamente e concluí: "O que estou falando!? Nós, seres humanos, não agimos muito diferente disso. Não somos menos estúpidos do que aquelas pequenas que ferozmente disputavam um espaço tão pequeno!" Em um universo com possibilidades infinitas, ficamos lutando e desperdiçando nossos já escassos recursos para dominar este minúsculo pedacinho de rocha. Se somássemos tudo o que é gasto em guerras inúteis, em um progresso a inconsequente, e investíssemos no bem comum, conseguiríamos manter nosso planeta a salvo das catástrofes ambientais que enfrentamos com cada vez mais frequência, além de que alcançaríamos fronteiras inimagináveis, com recursos infinitos! Enfim, pensei: “Está na hora de começarmos a inventar novas formas de viver, ao invés de novas formas de matar e destruir!” O guincho chegou e voltei a realidade, achando engraçado até onde minha mente havia chegado apenas observando uma aranhazinha!

  • FILMES SELECIONADOS - CINE.EMA 2017

    Cine.Ema divulga filmes selecionados para 2017​ Filmes de oito Estados brasileiros concorrem ao troféu “Burarama” na 3ª edição do Festival de Cinema Ambiental de Cachoeiro de Itapemirim. Inspirado na Pedra da Ema, o “Cine.Ema” apresenta a seleção oficial dos filmes da mostra competitiva, que integra a programação da terceira edição do Festival de Cinema Ambiental. A curadoria, composta por Léo Merçon, Ilka Westermeyer, do Instituto Últimos Refúgios, e Roberta C. Fassarella, avaliou cerca de 100 obras cinematográficas de todo o Brasil. Foram selecionados 15 filmes de curta duração nas categorias de ficção, animação e documentário dos Estados do Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Distrito Federal e Pernambuco. O festival será realizado nos dias 30 de junho e 01 de julho, no distrito de Burarama. Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento socioambiental da comunidade, a Odebrecht Ambiental e a ANA, Agência Nacional de Águas, são algumas das empresas e instituições parceiras do festival. Os vencedores serão premiados em cada categoria com o Troféu “Burarama”, além do prêmio de votação popular. Buscando fazer de Burarama uma referência cultural e turística no sul capixaba, o festival foi pensado para valorizar a Pedra da Ema localizada no distrito. A pedra leva este nome por estampar em sua superfície a figura de uma Ema, transformando-se num símbolo da região. Alguns dos filmes selecionados para o festival. Em sua 3ª edição, o Festival Cine.Ema convida você a encontrar a origem da água e a se perguntar: de onde ela vem? De onde vem o Rio? E quais são as memórias das águas? Dos riachos, cachoeiras e córregos? Como ela surge e como manter sua fonte viva? Nessa jornada, o Cine.Ema chega doce como as águas do rio, propondo um mergulho nas lembranças que marcam a memória das comunidades, mas também, na investigação da origem e na preservação das nascentes. O Cine.Ema é uma realização do Ministério da Cultura, da Caju Produções e do Instituto Últimos Refúgios, com apoio da Odebrecht Ambiental, da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Ministério do Meio Ambiente. LISTA DOS FILMES SELECIONADOS (organizados por ordem alfabética) A piscina de Caíque, de Raphael Gustavo da Silva | Fic, 15min, GO Andar de Trem, de Duda Larson | Ani, 03min, SP Animais, de Guilherme Alvernaz | Ani, 12min, SP Berço das Águas, de Wesley Gondim | Doc, 17min, DF Capibaribe, da Nascente a foz, de Canário Caliari | Doc, 20min, PE Cheiro de Melancia, de Maria Cardozo | Fic, 16min, PE Enquanto Canto, de Sil Azevedo | Fic, 15min, RJ Louça de Deus, de Eudaldo Monção Jr. | Doc, 13min, SP Maria Cachoeira, de Pedro Carcereri | Fic, 11min, MG Macacada, de Duda Larson | Ani, 04min, SP Meu Rio Vermelho, de Rafael Irineu Alves Lacerda | Doc, 20min, MT Pato-mergulhão: Vida e novas vidas, de Sávio Freire Bruno | Doc, 03min, RJ Rio Verdadeiro, de Hidalgo Romero | Doc, 16min, SP Uma Aventura na Caatinga, de Laercio Ferreira Filho | Ani, 12min, PB Zoom, de Aristhotelis Tadeu Tiradentes | Fic, 11min, ES FOTOS DE EDIÇÕES ANTERIORES REALIZAÇÃO

  • Desastre ambiental ignorado!

    Segundo o último informe do Ministério da Saúde foram notificadas 4.240 mortes de macacos brasileiros associados ao atual surto de febre amarela silvestre. Infelizmente, sabemos que é uma pequena parte do que já morreu. Ou seja, à sombra do drama na saúde pública, existe um desastre ecológico que está sendo negligenciado. Bugio morto pela Febre Amarela no Espírito Santo (Foto: Projeto Muriqui - ES) Exceto no Espírito Santo, em que a Secretaria de Meio Ambiente está financiando um estudo sobre o impacto da febre amarela sobre os primatas, não tenho visto pronunciamentos dos órgãos ambientais estaduais e nacionais sobre esse tema. Eu esperava que não só o Ministro da Saúde viesse a público tratar do assunto, mas também o Ministro do Meio Ambiente. Espécies estratégicas para os ecossistemas florestais e ameaçadas de extinção estão sendo dizimadas e, exceto alguns setores técnicos e imprensa, o assunto continua ignorado pela área ambiental. A febre amarela, mais do que nunca, vem demonstrar que saúde humana e saúde ambiental precisam ser tratadas de maneira integrada. Fonte: Texto escrito pelo Professor Dr. Sérgio Lucena, da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES VEJA FOTOS DE MACACOS NAS FLORESTAS DO ESPÍRITO SANTO, ANTES DA FEBRE AMARELA:

  • Educação Ambiental: tanque gigante para observação de tartarugas em Vitória

    Vitória ganhou o maior tanque de criação e observação de tartarugas do projeto Tamar no Espírito Santo. Inaugurado em fevereiro, o Instituto Últimos Refúgios (UR) está super feliz com essa conquista, fruto do diálogo do Coletivo Ambiental que foi concretizado pelo Projeto Tamar. Também participaram desse diálogo o Instituto O Canal, o Paulinho Rodrigues (Instituto Baleia Jubarte), entre outras pessoas muito feras, preocupadas com o meio ambiente. Todos estão convidados a irem conhecer o tanque no Centro de Visitação do Tamar-Vitória, que fica na Ilha do Papagaio, na Praça do Papa, e funciona de terça a domingo, das 8h30 às 17 horas. O valor do ingresso é de R$ 6,00 (meia) e R$ 12,00 (inteira). O valor da entrada ajudará no trabalho de conservação das tartarugas. O tanque, que é uma parceria entre Projeto Tamar, Prefeitura de Vitória e a ArcelorMittal, tem capacidade para 112 mil litros de água, podendo abrigar diversas espécies de peixes, além das tartarugas. As laterais de vidro proporcionarão uma visão ampla do interior aos visitantes e serão uma das grandes atrações do local. A nova atração se junta a outros dois menores - de 30 mil e de 2 mil litros - para observação de tartarugas marinhas. Os visitantes também recebem informações sobre a Ilha de Trindade, o maior sítio reprodutivo da tartaruga verde no País. Por meio deste tanque será possível aumentar o trabalho de conscientização ambiental com crianças, em Vitória, que terão um contato ainda maior com as espécies de tartarugas. Leonardo Merçon, fotógrafo de natureza e presidente do UR, acredita no potencial turístico que o Espírito Santo possui devido à riqueza de biodiversidade natural que pode ser explorada de forma sustentável e didática. O Projeto Tamar Para Léo Merçon, o Projeto Tamar é de suma importância para o Estado, pois o trabalho deles já salvou muitas espécies de tartarugas que estavam ameaçadas de extinção. “O Projeto Tamar é uma fonte de inspiração do nosso trabalho, já que foram uns dos primeiros a acreditarem na sensibilização ambiental por meio da fotografia de conservação. Sempre que eles precisam de apoio, o Instituto Últimos Refúgios contribui como pode”, conta Merçon. Mais informações pelo telefone 3225-3787 (Projeto Tamar). VEJA MAIS FOTOS DA INAUGURAÇÃO:

  • No que se torna o indesejado?

    O dia mundial da água, que é comemorado dia 22 de março, tem como tema escolhido pela Organização das Nações Unidas-ONU, em 2017, as ‘águas residuais’. O termo água residual se refere à água ‘usada’, ou seja, a água que sobra após a sua utilização em numerosas aplicações, tais como Industrial, agrícola, municipal, doméstica, etc. O tema foi indicado com foco na segurança hídrica para o futuro já que, hoje, mais de 600 milhões de pessoas, no mundo, vivem sem acesso ao abastecimento de água próximo às suas residências e 1.8 bilhões de pessoas só têm acesso à água contaminada. Gotas retidas em folhas após chuva Com tantos problemas relacionados à água, faço a pergunta: você é um esbanjador de água? A resposta é sim, todos nós somos. No mundo, 80% da água utilizada por nós volta para a natureza sem tratamento. Utilizamos esse bem, mas, geralmente, não pensamos o que acontece com a água residual depois do seu descarte. Devemos refletir sobre o fato de que, o que descartamos hoje, ainda tem um longo caminho a percorrer e acaba em outro lugar, próximo ou distante de nós, afetando plantas, animais e seres humanos. Ao mesmo tempo, o uso exacerbado da água causa estresses nos recursos hídricos, o que pode causar graves crises de água. Crises hídricas podem ter causas físicas (naturais ou antrópicas) ou até mesmo econômicas. Escassez de água física ocorre quando os recursos hídricos naturais são incapazes de satisfazer a demanda de uma região e a escassez de água econômica é resultado de problemas de gestão de água. Dito isto, em ambos os casos o reuso da água, uma vez indesejada, entra como uma alternativa para amenizar tais problemas de qualidade e quantidade. Terra seca com planta nascendo Na campanha do dia mundial da água de 2017 ressalta-se que, para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável até 2030, devemos tratar e reutilizar a água, ao invés de desperdiçar ou descartar, melhorando a fluidez do ciclo da água. O reuso referencia ao uso intencional ou não intencional de águas tratadas, parcialmente tratadas, misturadas ou não tratadas, estando ou não sob um marco regulatório, legislação ou protocolo projetado para assegurar a segurança hídrica. 3ª ponte vista de baixo, no lado de Vila Velha, onde infelizmente, todo o esgoto é despejado no mar No Estado do Espírito Santo foi aprovada a Proposta de Emenda à Constituição - PEC 17/2015 de autoria do Deputado Estadual Sérgio Majeski. A PEC determina que os municípios do Espírito Santo desenvolvam planos para o uso racional, o reuso e a destinação final de águas residuais. Segundo o Deputado, o termo ‘reuso’ foi incluído nos artigos do termo de conservação e recuperação de corpos d’água para que os municípios adequem essa emenda à Lei Orgânica Municipal. Uma vez que os municípios acatem a mudança da constituição estadual, todas as licenças geradas por aquele município para construção de residências, comércios e indústrias, dentre outros, devem cobrar o plano de reuso de água para que a licenças sejam emitidas. Lixo na beira de riacho poluído, em Vila Velha - ES Águas residuais podem ser utilizadas em atividades agrícolas, aquiculturais, industriais, como água potável, para usos domésticos não potáveis, irrigação, recreação e recarga de águas subterrâneas. Apesar de ter seu uso proibido oficialmente, é tolerado no setor informal sendo utilizado, principalmente, para irrigação. A subsistência de muitas pessoas já depende do acesso às águas residuais não tratadas ou parcialmente tratadas. Por exemplo, o uso de águas residuais pode ocorrer quando as águas de descarga e de canais de drenagem são facilmente acessíveis e não geram nenhum custo ao usuário, conferindo benefícios devido ao seu alto teor de nutrientes para a plantação. Também, muitas indústrias estão apostando em abordagens mais centradas em soluções tecnológicas para o reuso. Locais como Singapura, Japão e Austrália já utilizam dos recursos para aperfeiçoar atividades em empreendimentos, sendo utilizada até mesmo na produção de energia. Rio na Reserva Biológica de Duas Bocas, em Cariacica - ES Embora as oportunidades para expandir o reuso sejam significativas, existem alguns desafios relacionados à elas: as mudanças climáticas, o monitoramento adequado, a aceitação pública e os recursos financeiros aplicados. Enquanto alguns destes fatores são considerados barreiras, os benefícios da expansão do reuso provavelmente superarão tais desafios, em um futuro próximo. A busca segue por alternativas sustentáveis uma vez que os recursos naturais estão cada vez mais escassos e, sabendo que as águas residuais podem ser tratadas e reutilizadas, o indesejado pode se tornar o cobiçado. Carolina F. Pinto Cientista Ambiental e Pesquisadora Email: carol.green.info@gmail.com ________________________________________________________________________________________________ Lautze, J.; Stander, E.; Drechsel, P.; da Silva, A. K.; Keraita, B. (2014). Global experiences in water reuse. Colombo, Sri Lanka: International Water Management Institute (IWMI). CGIAR Research Program on Water, Land and Ecosystems (WLE). 31p. (Resource Recovery and Reuse Series 4). doi: 10.5337/2014.209 UN Water (2017) Factsheet- World Water Day 2017: Why waste water? http://www.worldwaterday.org/wp-content/uploads/2017/01/Fact_sheet_WWD2017_EN.pdf

  • UR Recomenda: Biofaces.com, uma coleção virtual de registros de espécies

    O fotógrafo de natureza e conservação, Leonardo Merçon, e presidente do Instituto Últimos Refúgios (UR) recebeu um convite para participar do site Biofaces.com, um tipo de rede social gratuita voltada para fotógrafos, biólogos, pesquisadores e todas as pessoas que, assim como nós, são apaixonadas pela natureza. Nesta ferramenta é possível publicar suas fotos e conteúdo multimídia de animais em seu habitat natural, interagir com outros fotógrafos ajudando-os a identificar e contabilizar as espécies registradas. Preparamos um vídeo, com muito carinho, em nosso canal do YouTube, da série "Últimos Refúgios Recomenda", explicando direitinho como o Biofaces.com funciona, as regras, as recompensas e o que Léo está achando de participar dessa rede de divulgação da nossa biodiversidade! Ficou curioso? Assista ao vídeo logo abaixo e, se gostar, se inscreva no nosso canal, deixe seu joinha (like), comente e compartilhe com outras pessoas que possam se interessar. E viva a natureza!

  • Campanha "Não à extinção do Iema!"

    Uma decisão do Governo pôs em cheque a existência do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA). Isso levou com que servidores do órgão ambiental e a sociedade civil criassem a campanha. Servidores do IEMA fiscalizando Parque Estadual. O IEMA é um órgão ambiental, responsável pelo planejamento, licenciamento e fiscalização das empresas instaladas no estado e também pela recuperação e conservação dos recursos naturais capixabas, possuindo administrativo, jurídico e financeiro próprios. Perante essa decisão tomada no carnaval, surpresa para todos, esse órgão tão importante para nosso Estado será integrado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEAMA). Como autarquia independente, o IEMA exerce suas atribuições conforme a lei, já a SEAMA é um órgão administrado pelo governador em exercício. Segundo nossos parceiros (alguns deles servidores do IEMA), a extinção do IEMA poderá implicar em sérios prejuízos à sociedade capixaba, como lentidão dos andamentos dos processos e projetos, redução do poder de fiscalização das empresas poluidoras e favorecimento de influências políticas sobre decisões ambientais em detrimento aos interesses coletivos, o que pode representar um retrocesso inaceitável na atual crise ambiental em que vivemos. Nós do Instituto Últimos Refúgios apoiamos os servidores do IEMA e pedimos que a sociedade capixaba colabore assinando a petição online para impedir a efetivação desse ato que poderá ocasionar a perda de qualidade de vida e ambiental no nosso Estado. Link para a petição Online: https://secure.avaaz.org/po/petition/Assembleia_Legislativa_do_Estado_do_Espirito_Santo_Votem_contra_o_projeto_de_extincao_do_Iema/?zqwiMlb&utm_source=sharetools&utm_medium=whatsapp&utm_campaign=petition-411632-Assembleia_Legislativa_do_Estado_do_Espirito_Santo_Votem_contra_o_projeto_de_extincao_do_Iema&utm_term=qwiMlb%2Bpo!

  • Carnaval de luto em Vale Encantado, Vila Velha

    Enquanto muitos estavam aproveitando as alegrias do carnaval, um grupo de ambientalistas tentava apagar um incêndio, no morro do Carcará, em Vale Encantado, Vila Velha, ES O incêndio criminoso começou na manhã da última segunda-feira (27) e devastou uma área considerável, conforme a foto abaixo. Algumas pessoas, que estavam monitorando a área chegaram a fotografar o incendiário de costas, enquanto fugia. Moradores acionaram o Corpo de Bombeiros e esse órgão não atendeu. O grupo tentou apagar o incêndio, com total insucesso. Sem apoio das autoridades constituídas, o sonho de criar o Parque da Lagoa Encantada fica cada vez mais distante. O verde da vegetação está virando pó de carvão, mas alguém deve estar sorrindo! Sobre a área A APP Lagoa Encantada é uma Área de Preservação Permanente que fica na área conhecida como Areal do Vale Encantado e recebeu este nome, em homenagem a conhecida lagoa de nome: Lagoa Encantada, esta lagoa também teve influência no nome do bairro Vale Encantado que até então se chamava Parque Alice. Esta área possui 1.194.804.85 m² e fica entre os bairros: Vale Encantado, Jardim do Vale, Santa Clara, Rio Marinho, Jardim Marilândia, Rodovia Darly Santos e Avenida Carlos Lindemberg. É uma área de extrema beleza, com diversas espécies animais, berçário de Garças e Jacarés dentre outras espécies A pequena área verde, ainda existente no local, é muito cobiçada para expansão imobiliária, porém, sua conservação é de extrema importância para a comunidade local. Trata-se de um resquício da Mata Atlântica, onde está a nascente do Rio Aribiri, com grande biodiversidade, onde são feitos estudos e pesquisas por Igrejas, estudantes e biólogos. Importância da região É uma importante área de lazer para a comunidade, que a visita para banhos de lagoa, pesca, piqueniques, trilhas de bike, observação de aves e outras atividades. Muitos tiram de lá ervas medicinais para cura de diversas doenças. Existe também, muita sacralidade na área, pois várias Igrejas realizam batismo nas águas de sua lagoa. A área exerce a importante função reguladora de enchentes, impedindo o alagamento dos bairros próximos, pois é permeável e baixa, demora a encharcar e quando encharca, retém toda a água em seu solo alagável. Problemas enfrentados Os principais ataques sofridos na região são a derrubada de árvores e incêndios. Várias denúncias foram feitas à Polícia Ambiental, Ministério Público Estadual (MPES) e Prefeitura Municipal de Vila Velha, por pessoas da comunidade, pelo DESEA – Fórum de Desenvolvimento Econômico Social e Ambiental do Grande Vale, pelo Instituto Ecomaris e pelo Fórum Popular em Defesa de Vila Velha. Na semana passada, foi protocolada no MPES mais uma denúncia de desmatamento no mesmo local. NOS AJUDE A PRESERVAR! Conheça a biodiversidade do local e ajude a defendê-la: https://www.facebook.com/AppLagoaEncantada/​ MAIS INFORMAÇÕES: Willerman – (27) 99785-2247 MAIS FOTOS:

  • Febre amarela: a culpa é de quem?

    Sobre a febre amarela, tem sido ventilado que os mosquitos são os vilões da história. Mas no caso desse surto de febre amarela silvestre não é bem assim, os vilões são o vírus (o patógeno) e o homem (que alterou o ambiente natural da vida silvestre). A febre amarela é uma doença infecciosa grave causada por um vírus, que ocorre nas Américas do Sul e Central, além de alguns países da África. Acomete principalmente os primatas e é transmitido por alguns tipos de mosquitos, na área urbana e na área rural. Sua origem é provavelmente africana, chegou às Américas pelo tráfico de escravos, e se espalhou na floresta tropical americana através de mosquitos silvestres. Na área urbana, o vírus é transmitido pelo temido Aedes aegypti, um mosquito também proveniente da África. Mas no Brasil, desde 1942, não tem registro da circulação urbana do vírus (mas é preciso tomar cuidado para que não volte). Nas florestas das Américas, quem transmite o vírus são os mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os mosquitos, quando contaminados, transmitem o vírus principalmente para os macacos e acidentalmente para as pessoas do campo, que estão em contato com a floresta. Esses mosquitos dependem das florestas para sua manutenção, se reproduzem em ocos e cascas de árvores e se alimentam do sangue de animais, principalmente dos primatas nas copas das árvores. Assim como as outras espécies silvestres, esses mosquitos também possuem seu papel ecológico nos ambientes naturais, ainda que exista controvérsia sobre se esse papel é indispensável. Entretanto, é importante ressaltar que esses mosquitos da floresta não são vilões, porque assim como as pessoas leigas e desinformadas partem para combater a febre amarela tentando matar os macacos, tentam matar também os mosquitos da pior forma, ateando fogo nas florestas e/ou jogando veneno. Fotos tiradas em laboratório da espécie Haemagogus leucocelaenus, coletada no Parque Municipal Anhanguera, situado na cidade de São Paulo. (Laboratório de Entomologia em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (LESP/FSP/USP)) Mosquito Sabethes (Francisco Felipe Xavier-Filho, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia); A medida mais importante para prevenir e controlar a febre amarela é a vacinação da população. Os seres humanos são mais resistentes ao vírus (foi o homem quem introduziu o vírus nas Américas), podem funcionar como reservatórios resistentes, aumentando a circulação do vírus entre regiões e ambientes silvestres, e podendo até levar o vírus ao ambiente urbano novamente. Nos macacos, este o surto de febre amarela de fato é uma tragédia. Os macacos são vulneráveis ao vírus, e a quantidade de mortes e a velocidade com que isso tem acontecido é preocupante. Nesta situação, das duas uma, ou sobrarão os macacos mais resistentes ao vírus ou restarão os vírus menos virulentos na região (pois o vírus também depende do hospedeiro para a sua manutenção, e aquele vírus que mata deixa de se reproduzir no macaco morto). Entretanto, como as populações e grupos de primatas são pequenas e fragmentadas (ameaçadas de extinção), infelizmente, é esperado como consequência muitas extinções locais. Vacinar as pessoas na área de risco, principalmente aquelas que estão em contato com a floresta, é uma medida preventiva que protege a população humana, mas que também pode reduzir a circulação e a transmissão do vírus para os primatas. Acima, macacos que ocorrem no Espírito Santo, por ordem de organização: Bugio ou Barbado (Alouatta guariba), Muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), Guigó (Callicebus personatus), Macaco-prego (Sapajus nigritus), Sagui-da-serra (Callithrix flaviceps), Sagui-de-cara-branca (Callithrix geoffroyi), Macaco-prego-de-crista (Sapajus robustus). Vale destacar que a Organização Pan-Americana da Saúde lançou um alerta epidemiológico para todas as Américas. No Brasil, o surto não está restrito à Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e Espírito Santo, como se tem ventilado. Acontece que há muitos anos a febre amarela está avançando para o leste de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia, áreas consideradas de risco potencial para a doença. O problema é que o vírus chegou e encontrou a população não imunizada na região e rapidamente se espalhou. A solução para prevenir e controlar a febre amarela é vacinar as pessoas! Texto: Aureo Banhos, Professor da Ufes/Campus Alegre.. Fotos: - Leonardo Merçon, Instituto Últimos Refúgios (fotos: macacos e incêndio no PEPCV); - Francisco Felipe Xavier-Filho, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (foto: mosquito Sabethes); - Antônio Ralph, Laboratório de Entomologia em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (LESP/FSP/USP) - (foto: mosquito Haemagogus leucocelaenus)

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