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10/07/2019

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Viagem para Abrolhos: Experiencia de um voluntario do Instituto Últimos Refúgios

No mês de Julho de 2018, nosso voluntario João Pedro Zanardo de Andrade teve o prazer de conhecer o arquipélago dos Abrolhos na Bahia acompanhando o Instituto Baleia Jubarte e trouxe varias historias e fotos sobre as Baleias e o Arquipélago. Abaixo, segue o texto escrito por ele sobre tudo o que viu por lá:

 

"O Arquipélago dos Abrolhos fica localizado no estado da Bahia, a cerca de 36 milhas náuticas da costa. Constituído por cinco ilhas vulcânicas, esse tipo de formação é ideal para quem deseja enxergar de perto, e de forma clara, a teoria dos ecossistemas de ilhas de Darwin na prática. Isso desperta a curiosidade de muitos biólogos e admiradores da natureza, fazendo com que Abrolhos seja um ecossistema único para visitar.

 

Por ser considerado o lugar de maior biodiversidade do atlântico sul, o arquipélago ganhou o apelido de “amazônia marinha”. Para você ter uma ideia da riqueza do lugar, de acordo com o site do ICMBio, nas cinco ilhas existem cerca de 1300 espécies, sendo que 45 estão em risco de extinção, como apresentadas na lista da IUCN.

 

A formação geológica do arquipélago resultou em uma área com águas rasas e quentes, ambiente ideal para as baleias-jubarte, que saem da Antártida e migram para Abrolhos todos os anos. Essa visita acontece nos meses de junho e julho, e dura até outubro e novembro. Esse é o período em que as baleias estão acasalando ou dando a luz aos filhotes, já que o ambiente é ideal para que os pequenos aprendam a nadar e se alimentar. Além disso, é aqui que eles se preparam para a jornada até a Antártida, onde fecham o ciclo anual da população de jubartes do Atlântico Sul. Atualmente, o Banco dos Abrolhos localizado no mar do Sul da Bahia e do Norte do Espírito Santo, é considerado o melhores lugares para o avistamento de baleias-jubarte em todo Brasil.

 

 

MINHA EXPERIÊNCIA NO ARQUIPÉLAGO 

 

Nessa expedição, fui como acompanhante do Instituto Baleia Jubarte, e tive a oportunidade de ter contato com a pesquisa e a observação das baleias-jubarte com a equipe. Segundo eles, nós fomos privilegiados, pois tivemos a sorte de ver de perto os vários tipos de comportamentos das Jubarte, como o salto com batida de peitoral, a batida de caudal, a exposição de caudal, a batida peitoral e o SpyHope. Além disso, foi possível observar uma variedade de formações sociais das baleias, como fêmea com filhote, fêmea com filhote e um acompanhante, grupos competitivos de até 6 baleias, grupos pequenos e até mesmo baleias sozinhas.

 

Ao fim da expedição, a equipe contabilizou 40 baleias, somando todos os momentos. No total, foram cerca de 4 horas  com baleias próximas a proa do barco e, após 8 horas de observação, foi possível avistar 3 filhotes.

 

 

ALÉM DAS BALEIAS

 

- ILHA DE SANTA BÁRBARA

Além da observação de baleias, também pude visitar outras ilhas do arquipélago, começando pela Ilha de Santa Bárbara. Dentre as cinco, esta é a única que não faz parte da jurisdição do Parque Nacional, pois está sob o domínio da Marinha Brasileira. É nela que se localiza o famoso Farol de Santa Bárbara, ativo desde 1862.

 

 

Essa é a única ilha habitada do Arquipélago, já que alguns militares  vivem lá, e trabalham para manter o funcionamento do farol e análises das condições marítimas, que são passadas para o continente.

 

 

Além dos militares, pesquisadores também têm permissão para morar na ilha, durante o período em que realizam algum tipo de  trabalho de pesquisa no Arquipélago. Por conta da presença humana, a Ilha de Santa Bárbara teve a fisionomia alterada, já que o homem modifica a paisagem e  introduz espécies exóticas de plantas e animais domésticos, como cabras para a produção de leite e carne. Isso resultou em vários tipos de degradação na vegetação da ilha. A distância em relação ao continente também contribui para que o ambiente por aqui seja sensível, fazendo com que pequenas atitudes tenham como resultado grandes impactos.

 

 

- ILHA SIRIBA

De acordo com a Teoria dos Ecossistemas de Ilhas, é comum observarmos uma espécie mais adaptada e, consequentemente, dominante sobre as outras, em diferentes ilhas, mesmo estando próximas. No caso de Abrolhos, a segunda ilha que conheci foi  a Ilha Siriba, onde pude observar a dominância em quantidade do Atobá-Grande (Sula dactylatra) voando pela região o dia inteiro. Essa espécie de ave é muito comum em áreas oceânicas, e estão sempre em casal, podendo haver variações de parceiros, , dependendo da temporada de acasalamento. Os machos possuem o comportamento de dar presentes para as fêmeas. Além disso, têm o costume de fazer seus ninhos em áreas planas e com pouca vegetação, o que tornam as ilhas perfeitas para eles, já que são áreas de solo rochoso, com predominância de plantas rasteiras e arbustos. Caminhar pelas trilhas da Ilha Siriba não é uma atividade muito fácil, já que a região está repleta de ninhos.  

 

 

- ILHA REDONDA

A ilha Redonda é a segunda maior ilha do arquipélago, e é dominada pela Tesourão (Fregata magnificens), uma ave comum na costa brasileira. De coloração preta,o animal tem como característica marcante um papo vermelho nos machos. Durante a temporada de acasalamento, esse papo fica inchado, em prol de atrair as fêmeas.

 

Os ninhos da Tesourão ficam localizados no topo da ilha, onde não é permitido o acesso. Isso é necessário porque a ave é muito arisca e, quando se assusta, foge voando e deixando o seu ninho desprotegido. Um dos comportamentos do macho dessa espécie é quebrar os ovos dos quais não são pais, fazendo com que uma visitação à essa área possa atrapalhar o ciclo de reprodução da ave.

 

Algumas partes da Ilha Redonda são repletas de lixo, mas não são rastros deixados pelos turistas. A sujeira, na verdade, vêm  com o mar, pelas correntes marítimas. Em certos locais, é comum ver peças de barcos, madeiras, garrafas de plástico, vidro e até latinhas com escritas em línguas estrangeiras, mostrando que o lixo que chega na ilha vem de muito longe.

 

 

O RETORNO
Após 3 dias no mar, dormindo e comendo enquanto sentia o balanço das ondas, pude voltar para casa com a mochila leve, sem lembranças materiais (em respeito às ilhas). Em compensação, a câmera veio cheia de fotos, e minha memória repleta de experiências e histórias incríveis para contar. Em Abrolhos, pude ver as belezas do ecossistema marinho e verificar toda aquela teoria que aprendemos na faculdade. Pude viver tudo na prática, através da sinergia com o local. Também pude aumentar minha sensibilidade em relação à importância da preservação, colocando em perspectiva algo como uma latinha, que alguém jogou fora de maneira incorreta em algum lugar do mundo, achando que nada iria acontecer, pode afetar tanto um ambiente tão belo e importante."

 

 

 

* Texto e fotos de João Pedro Zanardo de Andrade, Biólogo e Voluntário do Últimos Refúgios.
 

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