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10/07/2019

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Diário de expedição: belezas naturais e aventuras no Parque Estadual de Forno Grande

Olá, me chamo Ana Clara, sou estudante de jornalismo e estagiária do Instituto Últimos Refúgios. Trabalho com a produção de matérias, conteúdo para redes sociais e no desenvolvimento de alguns projetos, em especial, o livro “Últimos Refúgios: do Parque de Pedra Azul ao Parque de Forno Grande”, pelo qual fui contratada. Desde então, instigo meu amor pela natureza e pelo ambientalismo.

 

A produção do terceiro volume da “Série Áreas Protegidas” levou o Instituto Últimos Refúgios em sua quarta expedição para registro das espécies nativas do corredor ecológico entre os parques estaduais de Pedra Azul e Forno Grande.

 

Contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura Federal, o projeto articula uma equipe composta por fotógrafos, biólogos, produtores, cinegrafistas, designers e jornalistas para revelar a biodiversidade do território compreendido entre os municípios de Castelo, Vargem Alta e Domingos Martins.

 

Pela primeira vez, integrei o grupo para acompanhar e relatar todos os detalhes do trabalho em campo. Foram cinco dias em meio às trilhas, cachoeiras, paisagens e clima ameno de Forno Grande, parque situado no município de Castelo/ES.

 

Venha comigo acompanhar essa aventura!

 

 

MERGULHO NOS POÇOS AMARELOS

As paisagens naturais, a arquitetura europeia típica e as estradas tortuosas da BR-262 guiaram o caminho até Castelo, município à cerca de 120 km da capital. Chegamos ao alojamento por volta do meio-dia e logo nos preparamos para a primeira missão: subir a trilha e mergulhar nas piscinas naturais de Forno Grande em busca de espécies aquáticas.

 

O líder foi o fotógrafo Leonardo Merçon, que encarou as águas gélidas dos “poços amarelos”, um conjunto de piscinas naturais situado na metade da trilha até o Mirante de Forno Grande. O local possui paisagens belíssimas e oferece uma forte conexão com a natureza, orquestrada pelo som das águas, insetos e pássaros.

 

Mergulho e paisagens dos poços amarelos. Fotos: João Zanardo, Felipe Facini, João Zanardo e Leonardo Merçon, respectivamente.

 

 

PREDADORES À ESPREITA

A segunda tarefa do dia foi a busca por rastros de animais. Seguimos a trilha até uma área de córregos, pedras e cachoeiras. A irregularidade do terreno, com grandes frestas e solo escorregadio, me fez esperar em um local seguro.

 

Travessias. Foto: João Zanardo

 

Antes da “despedida”, o fotógrafo Leonardo Merçon me alerta: “fica tranquila, a onça já almoçou hoje”. Apesar do tom de brincadeira, o anoitecer deixava a imagem do felino cada vez mais vívida. Sentei no chão para esperar, de costas para a mata, só para mais tarde descobrir que este é o comportamento mais previsível e propício à possíveis ataques.

 

O alívio veio quando feixes de luz se revelaram na mata, anunciando o retorno da equipe. Por sorte, não foi desta vez que meu destino cruzou com o animal.

 

 

REVOADA

A noite caiu por completo. Seguimos de volta até os poços amarelos e gravamos algumas cenas para o documentário making of da expedição. Leonardo Merçon, Iasmin Macedo e Raphael Gaspar relataram as experiências, expectativas e feedbacks do primeiro dia de trabalho.

 

Durante as filmagens, numa completa escuridão, uma revoada de besouros foi atraída pelas luzes dos refletores. A cena surpreendeu toda a equipe, que logo se mobilizou para fazer o registro. Já eu, tentei manter uma distância segura, em respeito à minha - pequena - fobia por insetos. Mesmo intimidada, a beleza do momento me cativou, permitindo que eu me aproximasse. Afinal de contas, não eram tão amedrontadores como lembrava. 

 

 

DESCIDA NA ESCURIDÃO

Na descida da trilha, para retorno ao alojamento, utilizamos uma câmera térmica, dispositivo que evidencia animais de sangue quente em ambientes mais frios, como a mata durante à noite, e permite sua identificação e registro.

 

No caminho, o fotógrafo Leonardo Merçon encontrou um besouro peculiar. A equipe interrompeu a descida para auxiliá-lo no registro do animal, segurando luzes e flashes. Em busca da foto perfeita, a sessão se estendeu por cerca de 30 minutos.

 

 Fotografando besouros no escuro. Foto: Ana Clara Mardegan

 

Enquanto isso, aproveitei o momento para contemplar o céu estrelado camuflado entre as árvores. No silêncio da mata, ouvi os sons da natureza, uma bela sinfonia de grilos, sapos e corujas, ao longe, interrompida apenas pelo obturador das câmeras.

 

Por volta das 21h, chegamos à sede. Organizamos equipamentos e utensílios de campo, como botas e perneiras. Nos reunimos para conferir algumas espécies registradas, entre elas, um belo tamanduá-mirim.

 

Após o dia exaustivo, foi hora de descansar para o próximo desafio.

 

 

AO INFINITO E ALÉM

Levantamos cedo, por volta das 5h. Discutimos estratégias de busca e registro para um novo objetivo: fotografar a onça-parda que ronda a região, já identificada por funcionários do parque. Toda a manhã foi comprometida por tentativas - frustradas - de encontrar rastros do felino, em uma subida exaustiva para a equipe, que carregava equipamentos pesados.

 

O grupo se dividiu. Eu, Lucas, a bióloga Iasmin Macedo, Raphael Gaspar e o guia de observação de aves Felipe Ventura seguimos a trilha até o Mirante de Forno Grande, cerca de 2100 metros de altitude, para potencializarmos as buscas.

 

A paisagem, após uma subida íngreme e cansativa, foi recompensadora. Do topo, pode-se ver o Pico de Forno Grande, a imponente Pedra Azul e toda a natureza que cerca a região. Com certeza, uma das vistas mais lindas do Espírito Santo. 

 

 Paisagens de Forno Grande. Fotos: Ana Clara Mardegan e Lucas Lopes, respectivamente.

 

 

PREOCUPAÇÕES E DILEMAS

Na reunião ao fim do dia, já no alojamento, assistimos o noticiário sobre a atual crise do coronavírus (Covid-19). Discutimos alguns pontos, principalmente sobre o possível fechamento das rodovias. Levantamos a possibilidade de reduzir os dias em campo: ficaríamos cinco ao invés dos oito dias previstos.

 

A equipe decidiu, para segurança de todo o grupo, pelo retorno antecipado. Voltaríamos no domingo. O aumento exponencial do número de casos da doença e as orientações para isolamento social deixaram todos preocupados.

 

 

UM DIA DE TURISTA

No sábado, a equipe saiu para uma visita à Pedra Azul, a fim de desbravar um território desconhecido da região. Enquanto isso, acompanhei o biólogo João Zanardo, responsável pelas imagens de bastidores, para fotografar e conhecer os arredores do Parque Estadual de Forno Grande.

 

Fomos ao centro de visitantes, que reúne diversos animais taxidermizados e informações sobre a biodiversidade da região. O local é uma ótima opção para conhecer as espécies selvagens do território e apreciar de perto seus detalhes e características.

 

 Centro de visitantes. Fotos: João Zanardo

 

À noite, o clima ameno se intensificou, com temperaturas por volta dos 15 ºC. Nuvens de neblina tomaram os arredores do Parque de Forno Grande, compondo a atmosfera imersiva da região.

 

 Neblina toma entrada do parque. Foto: Ana Clara Mardegan

 

DESPEDIDA

O dia nos recebeu com muita chuva e frio. Enquanto o fotógrafo Leonardo Merçon, a bióloga Iasmin Macedo e o assistente de fotografia Joarley Rodrigues subiam a trilha para dar a última explorada nos arredores, o restante da equipe concentrou-se na organização dos equipamentos e preparativos para a partida. O trabalho levou toda a manhã.

 

Agradecemos e nos despedimos do gestor Rodolpho Torezani, grande parceiro colaborador do projeto. Mesmo com o trabalho cumprido, não escondemos os lamentos pela volta antecipada.

 

A expedição foi minha primeira experiência em meio à natureza. Foi uma grande oportunidade de conhecer mais sobre a biodiversidade capixaba e sobre o trabalho que ajudo a desenvolver em prol de sua conservação. 

 

Observando o horizonte. Foto: João Zanardo

 

Obrigada Forno Grande, até a próxima! 

O livro "Últimos Refúgios: Do Parque de Pedra Azul ao Parque de Forno Grande" é uma realização do Instituto Últimos Refúgios e Ministério da Cultura, com apoio do IEMA, Reserva Águia Branca e patrocínio do Grupo Águia Branca e Distribuidora Diaço.

 

O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários e precisa de recursos para financiar as suas atividades. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar clicando na imagem abaixo ou no link: PARTICIPE.

 

 

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