Onde estará a cuíca-d’água no Espírito Santo?
- Iasmin Macedo - Coordenadora do Projeto Marsupiais
- 21 de set. de 2018
- 3 min de leitura
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A espécie Chironectes minimus, conhecida popularmente como cuíca-d’água, chichica-d'água ou até mesmo gambá-d'água, é considerada de grande importância ecológica, por ser bioindicadora do estado de conservação de córregos e rios; além de ser apontada como espécie bandeira, pois contribui na preservação de diversas outras espécies.

Mas o que significa ser bioindicadora de um rio?! E por que ela é apontada como tal?!
A cuíca-d’água é totalmente dependente de um ambiente aquático preservado e rico em fauna. Por esse motivo, é comum se dizer: onde tem cuíca-d’água, tem um rio em bom estado de conservação.
Pesquisadores apontam que a degradação desses ambientes é um grande fator para o risco de extinção da espécie, e a perda de uma de suas subpopulações seria irreversível.
Por que estamos buscando a cuíca-d’água no estado do Espírito Santo?
Ela tem sua distribuição por todo o território capixaba. No entanto, atualmente, dificilmente é encontrada. Existem no estado apenas dois registros depositados em Museu, sendo os dois indivíduos de Santa Teresa da década de 1940. Outros registros foram feitos por Augusto Ruschi em 1978 para a região do Caparaó e Tonini em 2010 para a Reserva Biológica de Duas Bocas, em Cariacica. Porém, são apenas dados visuais.
Em trabalhos já realizados, diversos pesquisadores ressaltam a dificuldade em visualizar e capturar a espécie. Por esse motivo contamos com a ajuda da população do Espírito Santo e comunidades próximos a locais preservados para localizarmos e registrarmos os indivíduos presentes no estado.

Sobre a espécie
Segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e o Ministério do Meio ambiente (MMA), a espécie está listada na categoria de ameaça como de “menor preocupação” (Least Concern - LC). Porém, no estado do Espírito Santo está classificada como “criticamente em perigo”, assim como em outros tantos estados brasileiros.
Pesquisadores afirmam que o conhecimento sobre a cuíca d'água ainda é muito limitado e que sua categorização nas listas nacional e internacional são subestimativas, baseadas em crenças anedóticas e não em inquéritos de campo e avaliações da população.

Habitat e abrigo:
O leito do rio apresenta corrente moderada, com predominante vegetação arbórea e em alguns casos com vegetação arbustiva.Os abrigos são cavidades nas margens de rios, em pedras ou em meio às raízes e ao solo. Apenas com uma abertura, direcionada diretamente para a água.Esses animais raramente se distanciam dos cursos d’água, pois ali se encontram seus abrigos e alimentos.
O que o Projeto Marsupiais já realizou e ainda vai realizar:
Fotógrafo Daniel Gois Fotógrafo Daniel Gois
Nossa equipe está indo a campo para realizar a busca ativa com o objetivo de localizar a espécie no Espírito Santo. A busca ativa consiste em realizar caminhadas em locais de possível presença dos animais e, por vezes, se manter estacionados à espera. É de grande importância que essas caminhadas aconteçam em horários de atividades da espécie, ou seja, durante o período noturno. Sendo assim utilizamos lanternas para a localização do indivíduo.
Fotógrafo Daniel Gois Fotógrafo Daniel Gois Fotógrafo Daniel Gois Fotógrafo Daniel Gois
Além da busca ativa, instalamos também câmeras "traps", estas armadilhas fotográficas são amarradas em troncos de árvores, próximas aos rios, capturam o movimento e registram o comportamento natural dos animais. Até o momento não obtivemos sucesso em encontrar o animal, mas coletamos dados importantes, como condições climáticas e ambientais, além de dados sobre o local. Até mesmo a fase da lua foi considerada.
Fotógrafo Daniel Gois Fotógrafo Daniel Gois
Com informações e registros da espécie em localidades aqui do estado do ES, enviados pela população, iremos fazer outras expedições para tentarmos coletar ainda mais informações sobre esses animais de tamanha importância para a biodiversidade capixaba.
Telefone para contato: (27) 3022-1667 / (27) 99810-5848
Email: projetomarsupiais@gmail.com
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Fotos: Daniel Gois
*O Instituto Últimos Refúgios é uma organização sem fins lucrativos na qual os participantes são voluntários. Se gosta de nosso trabalho e quer que ele continue, saiba como colaborar no link: PARTICIPE
Artigo 29 da Lei nº 9.605 (Lei de Crimes Ambientais) de 12 de Fevereiro de 1998
É crime - Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida. Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.





















